O Governo Lula deu mais um passo para ampliar o acolhimento e a proteção às mulheres no Sistema Único de Saúde (SUS). Desde segunda-feira, 24, o Ministério da Saúde passou a disponibilizar 100 mil teleatendimentos mensais em saúde mental para mulheres em situação de violência e para mães atípicas.
O serviço também contempla mães, tias, avós, irmãs e outras familiares que cuidam de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras. O atendimento pode ser solicitado pelo aplicativo Meu SUS Digital.
A iniciativa busca facilitar o acesso ao cuidado psicológico para mulheres que, muitas vezes, enfrentam situações de vulnerabilidade, sobrecarga e dificuldades para chegar presencialmente a um serviço de saúde. Com a nova oferta, o SUS leva o acolhimento até essas mulheres, com atendimento especializado, gratuito e realizado de forma remota.
Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a iniciativa amplia o acesso ao cuidado de forma segura e adaptada à realidade de quem mais precisa.
“A proposta é oferecer o teleatendimento diretamente à população como uma primeira forma de acolhimento e de início do plano terapêutico. Depois, esse cuidado será articulado com a rede local, nos estados e municípios. Onde essa rede ainda não estiver disponível, o Ministério da Saúde continuará oferecendo o atendimento remoto”, afirmou Padilha.
Em uma publicação em suas redes sociais ao lado da primeira-dama, Janja, o ministro celebrou esse avanço. ”É o SUS cuidando de quem cuida”, declarou.
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Atendimento chega a todo o Brasil
O atendimento voltado às mulheres em situação de violência começou em março deste ano, por meio de um projeto-piloto realizado em Recife (PE) e no Rio de Janeiro (RJ). Agora, a iniciativa do Ministério da Saúde chega a todos os estados e amplia também o público que pode utilizar o serviço.
Além das mulheres vítimas de violência, familiares responsáveis pelo cuidado de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras passam a ter acesso às consultas.
Usuárias que já têm o Meu SUS Digital instalado receberam uma notificação informando sobre a nova modalidade de atendimento. A mensagem apresenta o Acolhe Mais, serviço que permite o agendamento de teleconsultas com profissionais especializados em saúde mental.
A ampliação nacional facilita o acesso principalmente para mulheres que enfrentam dificuldades de deslocamento, falta de tempo ou obstáculos para buscar ajuda presencialmente.
Como acessar
Para solicitar uma consulta, a usuária deve seguir os seguintes passos:
- Acessar o aplicativo Meu SUS Digital e com sua conta gov.br;
- Clicar na opção “Miniapps”;
- Selecionar a opção “Acolhe Mais + – Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres”;
- Aguardar o direcionamento para a plataforma da AgSUS;
- Realizar o cadastro na AgSUS, informando se está vivendo ou já viveu alguma situação de violência ou se é responsável pelo cuidado de uma pessoa com deficiência, transtorno do neurodesenvolvimento ou doença rara;
- Em até 24 horas, a equipe responsável entrará em contato para que seja escolhido o dia e o horário da consulta.
Até a data agendada, a usuária receberá lembretes e, no dia do atendimento, o link para acessar a teleconsulta. Os teleatendimentos estão disponíveis de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h.
O serviço é realizado por psicólogas mulheres, uma medida destinada a oferecer maior segurança e conforto às pacientes.As profissionais foram capacitadas pelo Ministério da Saúde para realizar uma escuta sensível no ambiente virtual e também para identificar possíveis situações de risco.
Nos casos de violência, o primeiro contato também servirá para avaliar possíveis situações de risco, identificar a rede de apoio disponível e compreender as principais necessidades da mulher.
Cada usuária poderá realizar até dez sessões, com possibilidade de iniciar um novo ciclo caso seja necessário. Depois dos atendimentos, a continuidade do cuidado poderá ocorrer em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou em outro serviço da rede pública de saúde. O CAPS também pode ser procurado diretamente pela população.
Nos casos de risco imediato, as usuárias serão orientadas a buscar os serviços de emergência adequados, como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou a Polícia Militar, pelo 190. Quando a situação for grave, mas não exigir uma intervenção emergencial naquele momento, profissionais responsáveis pela articulação com a rede de saúde poderão fazer os encaminhamentos necessários para os serviços existentes no território.
Cuidar de quem Cuida
A nova iniciativa do SUS também chama atenção para uma realidade que atinge milhões de brasileiras: a sobrecarga do trabalho de cuidado.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), 75% do trabalho de cuidado não remunerado no mundo é realizado por mulheres. É uma rotina que, além das tarefas cotidianas, pode envolver o acompanhamento permanente de filhos e familiares com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras.
Para essas mulheres, encontrar tempo para cuidar da própria saúde pode se tornar um desafio. Distância dos serviços, dificuldades de deslocamento e a impossibilidade de deixar a pessoa assistida sozinha são algumas das barreiras enfrentadas.
Em 2023, o Ministério da Saúde atualizou a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Pessoa com Deficiência (PNAISPD), prevendo ações e serviços também para familiares.
O Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres dá continuidade a esse cuidado e reforça o compromisso do SUS com a saúde de quem cuida.