Entrevista de Zema no JN faz fundador dizer que Novo deveria ‘desaparecer’ da mídia

João Amoedo
O fundador do Novo, João Amoedo. Foto: Gabriel Cabral/Folhapress

João Amoêdo, um dos fundadores do Novo, fez uma crítica demolidora ao próprio partido após a sabatina do candidato à Presidência Romeu Zema na TV Globo. Em uma publicação no X, o empresário afirmou que a legenda ficou “tão ruim que hoje não aparecer é a melhor coisa que pode acontecer ao partido”.

A entrevista de Zema foi marcada por gafes e correções ao vivo. Questionado sobre medidas para enfrentar o aumento dos feminicídios, o candidato disse ter “uma série de programas contra as mulheres”. Na sequência, esclareceu que pretendia falar de ações de combate à violência contra a mulher.

Zema também repetiu a versão falsa de que uma participante dos atos golpistas de 8 de janeiro recebeu uma pena de 14 anos apenas por sujar um monumento. Renata Vasconcellos corrigiu o candidato e lembrou que a condenação envolveu sete crimes. A crítica de Amoêdo não é isolada: em maio, ele acusou Zema de manter o Novo submisso ao bolsonarismo durante oito anos.

Amoêdo participou da fundação do Novo em 2011, financiou a estrutura inicial da legenda, presidiu o partido e disputou a Presidência da República em 2018. O rompimento começou a se aprofundar durante o governo Jair Bolsonaro, quando ele passou a criticar a aproximação de dirigentes e parlamentares da sigla com o bolsonarismo.

A crise explodiu no segundo turno de 2022. Mesmo depois de o Novo anunciar neutralidade e liberar seus filiados para votar segundo suas convicções, Amoêdo declarou apoio a Lula por considerar a reeleição de Bolsonaro um risco maior à democracia. Dirigentes e parlamentares do partido reagiram e passaram a defender sua expulsão.

Por quatro votos a três, a Comissão de Ética suspendeu a filiação de Amoêdo e abriu um processo para expulsá-lo. Ele recebeu dez dias para apresentar sua defesa e afirmou que três dos quatro integrantes que votaram por sua suspensão haviam entrado na comissão nas duas semanas anteriores. Os autores do pedido, segundo Amoêdo, declararam voto em Bolsonaro.

Formalmente, a expulsão não chegou ao fim. Ainda suspenso e antes do julgamento definitivo, Amoêdo pediu desfiliação em novembro de 2022. Ao sair, afirmou que o partido que havia fundado e financiado “não existe mais” e acusou a direção de aparelhar a Comissão de Ética para calar divergências. Na prática, foi empurrado para fora; juridicamente, deixou a legenda enquanto enfrentava o processo de expulsão.

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