Desde 15 de maio, a República Democrática do Congo (RDC) padece do surto de ebola mais letal da sua história. Conforme o Ministério da Saúde do país, mais de 5.514 casos foram confirmados com 2.642 mortes. Os números não param de subir e novas atualizações tem sido feitas semanalmente.
A este quadro aterrador se soma os cortes financeiros de ajuda humanitária nos dois anos que reduziram em 30% a capacidade de atuação no país, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), que renova o apelo por mais apoio internacional para conter a doença.
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O surto atual é causado pelo Bundibugyo ebolavirus, uma espécie diferente do Zaire ebolavirus, responsável pela maioria dos grandes surtos de ebola anteriores. A transmissão acontece principalmente pelo contato direto com sangue e outros fluidos corporais de pessoas infectadas, inclusive durante os cuidados aos doentes e os sepultamentos. A alta taxa de letalidade (próxima de 50%) e a dificuldade de interromper as cadeias de transmissão tornam o surto especialmente grave.
Já o maior surto de ebola já registrado no mundo ocorreu entre 2014 e 2016 na África Ocidental, principalmente em Guiné, Libéria e Serra Leoa. Segundo a OMS, foram registrados mais de 28,6 mil casos e 11.325 mortes, números superiores aos de todos os eventos anteriores somados, sendo tratado como uma epidemia.
Ataques às equipes de saúde
A Cruz Vermelha manifestou preocupação nesta segunda-feira (24) após seis trabalhadores envolvidos no combate a um surto de ebola na República Democrática do Congo terem sido feridos em ataques registrados na última semana. Em 17 de agosto, um comboio da Cruz Vermelha de Uganda foi atacado na província de Ituri, epicentro do surto, deixando uma pessoa gravemente ferida. Duas ambulâncias foram apedrejadas e vandalizadas.
No dia seguinte, dois voluntários ficaram feridos durante uma tentativa de realizar um sepultamento em Haut-Uele, enquanto dois veículos foram danificados. Antes disso, três voluntários foram atacados e feridos em Beni, na província de Kivu do Norte, onde equipamentos utilizados no combate à doença também foram destruídos. A violência acontece pela desconfiança em relação às autoridades e às equipes de saúde pela veiculação de notícias falsas e a violência armada que já existe na região.
Apelo do Papa
O Papa Leão 14 fez um apelo aos fiéis, reunidos na Praça São Pedro, e à comunidade internacional, na oração do Angelus de domingo (23).
“Queridos irmãos e irmãs, nas minhas orações, recordo frequentemente a República Democrática do Congo, especialmente devido à propagação da epidemia de Ebola, que, infelizmente, está causando muitas vítimas. Encorajo uma resposta por parte da comunidade internacional, que envolva também as comunidades locais no trabalho de prevenção para salvar muitas vidas humanas“, afirmou o Papa.
Variante Bundibugyo
O Bundibugyo ebolavirus, responsável pelo atual surto, tem se espalhado rapidamente e ainda não tem vacina correspondente.
Enquanto isso, o país recebeu na última semana 16.250 doses da vacina Ervebo, que previne contra o ebola disseminado pela espécie Zaire. A OMS já ampliou o envio para 70 mil doses.
Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a entidade classifica o risco global da doença como baixo, por outro lado tem risco muito alto para os habitantes da RDC e países vizinhos, como Uganda, Angola, Sudão do Sul, Ruanda, Quénia, Tanzânia, Congo, Burundi, República Centro-Africana e Zâmbia.