Canetas fazem obesidade cair nos EUA pela primeira vez em décadas

Obesidade nos EUA. Foto: Reprodução

Os Estados Unidos registraram sinais de queda na obesidade após décadas de crescimento contínuo, apontam dados analisados por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Harvard e do Hospital Infantil de Boston. Um estudo publicado em 2024, com informações de mais de 16 milhões de adultos, identificou redução da prevalência em 2023, a primeira em mais de dez anos.

A Pesquisa Nacional de Exame de Saúde e Nutrição dos EUA também indicou uma pequena redução entre 2021 e 2023. Levantamentos posteriores trouxeram resultados na mesma direção, embora os especialistas ainda evitem tratar os números como uma reversão consolidada.

A mudança coincide com a expansão dos medicamentos agonistas do receptor de GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro. As prescrições desses produtos mais que quadruplicaram nos Estados Unidos entre 2021 e o início de 2026.

Desenvolvidos inicialmente para pacientes com diabetes tipo 2, os princípios ativos imitam um hormônio intestinal, aumentam a saciedade e retardam o esvaziamento gástrico. O epidemiologista Benjamin Rader afirmou que era esperado que o impacto dos medicamentos surgisse nos dados, mas ponderou que ainda não há prova definitiva de uma relação causal na população.

Mulher aplica uma dose de Wegovy no braço
Mulher aplica uma dose de Wegovy no braço. Foto: Reprodução

Especialistas apontam fatores além dos remédios para emagrecer

O endocrinologista Peminda Cabandugama, porta-voz da The Obesity Society, avaliou que há “evidências robustas” de queda significativa da obesidade. Para ele, o uso crescente de medicamentos contra a doença, mudanças de comportamento após a pandemia de Covid-19 e maior atenção ao controle do peso atuam de forma combinada.

As projeções de longo prazo ainda divergem dos dados recentes. Estudo do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde, da Universidade de Washington, prevê que a proporção de adultos obesos no país suba de 42,5% em 2022 para 46,9% em 2035.

Os autores dessa projeção observam que apenas uma parcela pequena das pessoas com obesidade usa medicamentos GLP-1 e que muitos pacientes suspendem o tratamento antes de completar um ano. Eles também citam o reganho de peso após perdas iniciais e a necessidade de dados mais representativos sobre os efeitos duradouros dos remédios.

Se a redução se confirmar, Cabandugama prevê melhora inicial em indicadores cardiometabólicos, como glicose no sangue, saúde cardiovascular, gordura no fígado e apneia obstrutiva do sono. Rader ressaltou que a obesidade segue como uma grande crise de saúde pública e que os medicamentos ainda não são acessíveis a todos os americanos por causa do preço e de outras barreiras.

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