
O advogado Celso Vilardi, que representa o ex-presidente Jair Bolsonaro, assumiu a defesa de Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, ex-sócios da fintech Naskar Gestão Ltda. A Polícia Civil do Distrito Federal acusa o trio de envolvimento no desaparecimento de R$ 900 milhões pertencentes a mais de 3 mil clientes. Com informações de Metrópoles.
Vilardi protocolou no Superior Tribunal de Justiça um pedido de habeas corpus para libertar os três investigados. O processo ficou sob a responsabilidade do ministro Carlos Pires Brandão, da Sexta Turma, mas o tribunal ainda não divulgou a data do julgamento. A defesa não apresentou manifestação sobre as acusações.
Os ex-sócios permanecem presos desde 22 de julho, quando a Polícia Civil do Distrito Federal realizou uma operação em São Paulo. A investigação apura o destino dos recursos captados pela empresa e a participação de cada investigado no esquema atribuído à fintech.
Vilardi também atuou na defesa do empresário Eike Batista e do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares durante o julgamento do mensalão. O advogado ainda representou a empreiteira Andrade Gutierrez, uma das empresas investigadas pela Operação Lava Jato.

Naskar deixou de pagar rendimentos prometidos aos clientes
A Naskar, que chegou a manter sede no Distrito Federal e depois fixou endereço em São Paulo, captava recursos com a promessa de retorno mensal de 2%. Após 13 anos de atuação, a empresa deixou de pagar os rendimentos em maio, e clientes relataram que não conseguiram respostas sobre os valores aplicados.
José Maurício Volpato, conhecido como Maurício Jahu, jogou vôlei pelo Clube Atlético Pirelli e teve passagens pela Seleção Brasileira na década de 1980. Depois, trabalhou como treinador, modelo e apresentador da ESPN Brasil por cerca de 20 anos. Marcelo Arantes administra outras três empresas, enquanto Rogério Vieira comanda duas companhias do ramo financeiro.
Douglas Silva de Oliveira Azara, de 26 anos, anunciou a compra da Naskar por R$ 1 bilhão e transferiu a empresa para o nome da avó, Célia Fátima Ferreira, de 77 anos, diagnosticada com Alzheimer. Ele viajou para Dubai em 15 de julho, depois de o Tribunal de Justiça de Minas Gerais expedir, no dia 1º daquele mês, um mandado de prisão preventiva relacionado à investigação sobre um desvio de R$ 60 milhões da Zema Financeira.
Os clientes aguardam decisões judiciais para tentar recuperar o dinheiro. Entre os investidores do Distrito Federal, um empresário mantinha R$ 3,9 milhões na Naskar, um bancário havia aplicado R$ 2,3 milhões e um aposentado investira R$ 1 milhão. Um cliente que levou 135 pessoas à empresa, com aportes somados de R$ 47 milhões, relatou: “A minha vida acabou”.