De la Espriella cala mídia pública colombiana e as 20 “Emissoras da Paz”

Abelardo de la Espriella, presidente da Colômbia
Abelardo de la Espriella, presidente da Colômbia. Foto: Reprodução

As 20 “Emissoras da Paz” da Colômbia interromperam nesta semana a programação jornalística e de opinião por ordem do governo do presidente de extrema direita Abelardo de la Espriella. As rádios, operadas pelo sistema público de mídia do país, passaram a transmitir apenas conteúdo musical enviado de Bogotá. Com informações do Brasil de Fato.

A suspensão ocorreu após uma diretiva da nova gestora da entidade, Ángela María Mora, voltada à reestruturação de conteúdo e infraestrutura. A medida ganhou forma depois de uma reunião entre Mora e a ministra das Tecnologias da Informação e Comunicação, Alexandra Falla. O governo anunciou o fim do que chamou de “aparelho de propaganda” do Estado e prometeu ampliar a presença cultural e territorial na programação.

Até agora, porém, as emissoras mantêm a transmissão de música e não divulgam informações úteis sobre a assistência às comunidades afetadas pelo terremoto. A interrupção atinge vítimas do conflito armado, camponeses e signatários do acordo de paz, grupos cujas demandas e iniciativas produtivas raramente encontram espaço na mídia tradicional.

As “Emissoras da Paz” nasceram do ponto 6.5 do acordo assinado em 2016 entre o Estado colombiano e as FARC. O projeto prevê a divulgação do andamento da implementação do pacto, ações educativas sobre convivência e espaços informativos para comunidades afetadas pelo conflito em municípios como El Tambo, no departamento de Cauca, e Ituango, em Antioquia.

Álvaro García, gestor do Sistema Público de Comunicação Social da Colômbia. Reprodução

Jornalistas alertam para violação do Acordo de Paz

Álvaro García, gestor do Sistema Público de Comunicação Social da Colômbia, defendeu a continuidade do projeto. “Isto não foi organizado nem tem como objetivo servir a uma causa política ou ideológica; pretende ser uma ferramenta para as comunidades, e estamos fazendo todos os esforços, juntamente com jornalistas e comunidades, para o preservar, proteger e garantir que cumpre esse propósito”, afirmou.

Jessica Molano, diretora de conteúdo da rádio de El Tambo, disse que os trabalhadores receberam a informação de que a suspensão seria temporária. “No entanto, o nosso silêncio constitui uma violação direta do Acordo de Paz por parte do Estado. Em municípios como El Tambo, somos a voz e o ouvinte das comunidades. Temos um compromisso com os signatários do acordo de paz, as vítimas do conflito e as organizações sociais”, declarou.

Coordenadores de conteúdo e jornalistas regionais também demonstraram preocupação com cerca de 105 trabalhadores contratados por prazo determinado. Eles afirmam que a mudança ameaça os empregos e pode retirar das emissoras o foco comunitário em regiões de difícil acesso.

O Decreto 3912, de 24 de novembro de 2004, atribui à área de rádio da empresa pública a tarefa de planejar e contratar conteúdos educativos, informativos, opinativos e musicais, além de acompanhar as necessidades dos ouvintes nos territórios. A Fundação para a Liberdade de Imprensa informou que monitora o caso e alertou para o risco à liberdade de expressão.

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