
Os irmãos Joesley e Wesley Batista disseram ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que a aquisição da Avibras representa uma oportunidade de entrar nos mercados brasileiro de defesa e aeroespacial. O negócio havia sido anunciado na sexta-feira (21) e já foi noticiado pelo DCM; o fato novo é o detalhamento apresentado ao órgão antitruste sobre os objetivos da operação e o pedido para que ela seja analisada pelo rito sumário.
A compra será feita pela Globe Investimentos, family office dos irmãos Batista que não integra formalmente a J&F. A operação prevê a aquisição da Nova AVB, controladora da Avibras Aeroco, mas a transferência do controle ainda depende da aprovação do Cade e do cumprimento das demais condições previstas no negócio. O valor da transação não foi divulgado.
Na documentação enviada ao conselho, os compradores afirmam que a aquisição permitirá sua entrada nos setores de defesa nacional e aeroespacial e contribuirá para a “reestruturação e para o fortalecimento dessas atividades no Brasil”. A Globe e a Avibras pedem que o caso siga pelo rito sumário, procedimento simplificado utilizado em operações consideradas de menor complexidade concorrencial.
Os advogados das empresas sustentam que o negócio é “simples e incapaz de produzir efeitos concorrenciais”, por não haver, segundo eles, sobreposição horizontal nem integração vertical entre as atividades das partes. Também afirmam que nenhuma companhia da J&F possui participação igual ou superior a 10% em outra empresa brasileira relacionada aos mercados de defesa e aeroespacial envolvidos na operação.

O interesse dos Batista está concentrado no núcleo tecnológico da Avibras. Entre os principais ativos estão o sistema de artilharia Astros, além de mísseis, foguetes, veículos especiais e soluções voltadas ao setor espacial civil, como propulsores e foguetes de treinamento. A fabricante é considerada estratégica pelo governo brasileiro e possui tecnologias desenvolvidas nacionalmente.
A aproximação de Joesley com a Avibras antecede a aquisição. O empresário participou de uma captação de R$ 300 milhões feita com investidores brasileiros para permitir a retomada da fábrica após cerca de três anos de paralisação. O montante corresponde ao total captado pela empresa, e não ao investimento individual de Joesley nem ao preço pago pela aquisição.
A Avibras voltou a produzir neste ano depois de atravessar uma longa crise financeira e entrar em recuperação judicial em 2022. Com o negócio submetido ao Cade, os Batista agora procuram obter autorização para concluir a compra e transformar uma operação anunciada na véspera em sua entrada efetiva num segmento que envolve alguns dos principais sistemas militares produzidos no Brasil.