
Um dos quatro homens indiciados pela morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro, de 37 anos, afirmou à Polícia Civil que um dos seguranças envolvidos no caso riu depois do espancamento e teria incentivado os demais a participar das agressões. Cláudio foi atacado em Copacabana, na Zona Sul do Rio, depois de ser confundido com um ladrão de bicicletas. O veículo pertencia à irmã dele. Com informações de O Globo.
A versão foi apresentada por Jorge Luiz Ricardo Dias, que trabalhava como segurança na região. Segundo ele, Davi Santos Machado estava “muito agressivo” e teria chamado dois entregadores que posteriormente participaram do ataque. Jorge afirmou acreditar que o colega deu ordens e estimulou as agressões contra Cláudio.
O espancamento foi registrado por câmeras e durou quase nove minutos, segundo a investigação. Imagens analisadas pela polícia mostram Cláudio recebendo dezenas de golpes, incluindo pauladas, socos, chutes e pisões. Ele já estava caído e sem reação durante parte do ataque. A perícia apontou traumatismo craniano e hemorragia interna como causas da morte.
Jorge declarou que encontrou Davi e os dois entregadores atacando Cláudio e tentou interromper a violência. Disse ter gritado para o colega parar e alertado que ele poderia ser preso em flagrante. Depois que os dois deixaram o local, afirmou ter perguntado: “Você vai ficar rindo? Tem noção do que você fez?”. Segundo o depoimento, Davi continuou “rindo” e “achando graça”.
Homem morre após ser espancado ao ser confundido com ladrão em Copacabana.
Claudio Rafael Landeiro foi levado ao Hospital Miguel Couto, mas não resistiu aos ferimentos; caso é investigado pela polícia.
A polícia investiga a morte de Claudio Rafael Landeiro, 37 anos, que foi… pic.twitter.com/LC8xDOfF4R
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Apesar de sustentar que tentou interromper o ataque, Jorge reconheceu que não chamou a Polícia Militar, o Samu, o Corpo de Bombeiros ou qualquer outro serviço de emergência para socorrer Cláudio. Ele também afirmou que Davi teria gravado as agressões com o próprio celular, versão que entra em choque com um depoimento anterior do colega, no qual ele disse desconhecer imagens do crime.
Davi, Jorge e os entregadores Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva foram indiciados por homicídio triplamente qualificado, por motivo fútil, emprego de meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. A Polícia Civil também investiga a possível atuação de um esquema de segurança clandestina em Copacabana e busca identificar outras pessoas que aparecem nas gravações.
A investigação desmontou ainda a suspeita que desencadeou a violência. Cláudio não havia roubado a bicicleta: o objeto pertencia à irmã dele e havia sido usado pelo ciclista quando saiu de casa. A polícia agora tenta reconstruir como uma abordagem baseada nessa suspeita terminou em um espancamento coletivo que matou um homem sem antecedentes criminais.