
O governo venezuelano, comandado pela presidente interina Delcy Rodríguez, não mencionou a libertação de Nicolás Maduro durante as negociações recentes com a oposição. Pessoas presentes nas conversas relataram ao jornal britânico Financial Times que o assunto ficou fora das cinco rodadas realizadas ao longo de duas semanas.
As reuniões buscavam definir medidas para viabilizar uma nova eleição presidencial, mas terminaram sem resultados concretos. Representantes do governo e da oposição discutiram os passos políticos e institucionais necessários para organizar o novo pleito.
Os participantes também trataram do financiamento da recuperação das áreas atingidas pelos terremotos de junho, que deixaram mais de 6 mil mortos, e do início de uma reforma no sistema judiciário venezuelano.
Maduro e sua esposa, Cilia Flores, estão sequestrados em uma prisão federal de Nova York desde janeiro, após uma operação das Forças Especiais dos Estados Unidos em Caracas. A Justiça estadunidense acusa Maduro de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e conspiração. O casal declarou-se inocente.

Governo amplia tratamento de Delcy Rodríguez como presidente
O Ministério da Comunicação e Informação da Venezuela também mudou a forma de apresentar Delcy Rodríguez em publicações oficiais. O órgão deixou de usar a expressão “presidenta interina” e passou a chamá-la apenas de “presidenta”, embora ela ainda mantenha a designação anterior em suas redes sociais e em alguns comunicados da Presidência.
Outros setores do governo adotaram a mesma nomenclatura. Jorge Rodríguez, irmão de Delcy e presidente da Assembleia Nacional, passou a tratá-la como “presidenta” em mensagens no X. A chancelaria venezuelana e contas ligadas à comunicação chavista seguiram o padrão.
O cientista político venezuelano John Magdaleno, professor universitário e diretor da consultoria Polity, avaliou que a mudança indica uma aceitação, dentro da coalizão governista, da permanência de Rodríguez no cargo. Para ele, a gestão também passou a adotar uma posição própria sobre a continuidade da presidente.
Os pedidos oficiais pela libertação de Maduro, frequentes em janeiro, perderam espaço nas manifestações públicas do governo venezuelano. Os Estados Unidos não reconhecem Maduro como presidente legítimo desde 2019 e o acusam de fraudar as eleições de 2018 e 2024.