Aliado dos Bolsonaros, assessor de Milei tem prisão preventiva decretada por mandar matar a ex-mulher

Fernando Cerimedo sob escolta no tribunal de Santa Cruz de la Sierra
Fernando Cerimedo sob escolta no Palácio da Justiça de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Foto: Reprodução

O juiz Wilson Espada determinou que Fernando Cerimedo, ex-estrategista digital da campanha do presidente argentino Javier Milei e aliado de Flávio e Eduardo Bolsonaro, permaneça em prisão preventiva por 180 dias na Bolívia. Ele responde à acusação de encomendar a tentativa de homicídio de sua ex-esposa, a advogada Nadia Beller, e ficará no presídio de segurança máxima de Palmasola, nos arredores de Santa Cruz de la Sierra.

Beller está internada na Clínica das Américas desde que dois homens a balearam no Swissotel, em Santa Cruz. A advogada, que participou da audiência por videoconferência, denunciou que Cerimedo teria instigado o ataque. O magistrado considerou cinco riscos processuais para manter a detenção, entre eles o risco de fuga apontado pela Promotoria.

Jerjen Justiniano, advogado de Beller, afirmou que as mensagens retiradas do celular de Cerimedo incluem uma conversa na qual ele supostamente mencionou a possibilidade de um atentado contra a ex-mulher. Outros diálogos indicariam que ela recebeu uma convocação para comparecer ao hotel onde sofreu o ataque.

A defesa pediu a anulação das mensagens e alegou violações de direitos durante a prisão de Cerimedo no Aeroporto Internacional de Viru Viru, além da falta de comunicação do caso ao consulado argentino. O juiz rejeitou os pedidos. A promotora Yolanda Figueroa afirmou que o magistrado também considerou as perícias do celular, o prontuário médico, o exame balístico e o relatório forense.

Fernando Cerimedo e Eduardo Bolsonaro em evento de Donald Trump. Foto: reprodução

Defesa nega acusação e polícia procura envolvidos no ataque

A audiência da sexta-feira (21) durou mais de sete horas e terminou depois das 20h30 no horário local. Cerimedo chegou sob forte escolta e usando uma máscara azul. Após a decisão, policiais o retiraram algemado do tribunal. A defesa havia solicitado sua permanência em Santa Cruz de la Sierra, em vez da transferência para o presídio de Chonchocoro, nos arredores de La Paz.

A advogada Margarita Arce leu antes da audiência um comunicado assinado por Cerimedo no qual ele rejeitou as acusações da ex-esposa. No mesmo dia, a polícia prendeu um homem que supostamente estava com um dos capacetes usados pelos autores do ataque. A Promotoria passou a apurar a possível participação dele no crime, enquanto investigadores realizaram uma operação na zona sul de Santa Cruz.

Cerimedo também passou a responder a uma investigação por suposto enriquecimento ilícito conduzida por uma Promotoria de La Paz. Agentes realizaram ao menos cinco buscas em imóveis que teriam ligação com o consultor durante as 48 horas anteriores à audiência.

Em um apartamento no bairro de Aranjuez, em La Paz, os investigadores apreenderam uma estrutura descrita pelo promotor departamental Carlos Torrez como uma pequena fazenda de robôs digitais. A operação também recolheu documentos, malas, mais de 500 mil bolivianos e quantias não especificadas em dólares e euros.

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