
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reagiu nesta sexta-feira (21) à reportagem da Veja que afirmou que as mortes na Terra Indígena Yanomami “dispararam” durante o governo Lula. Ele acusou a revista de espalhar mentiras por meio de uma comparação sem contexto epidemiológico e alertou que o conteúdo pode ser usado para tentar influenciar as eleições.
No vídeo publicado nas redes sociais, Padilha respondeu diretamente à reportagem assinada por Robson Bonin. O texto contrapôs 1.121 óbitos registrados entre 2023 e 2025 a 951 notificações de período equivalente sob Jair Bolsonaro, como se a capacidade de atender indígenas, localizar doentes e registrar mortes fosse a mesma nas duas gestões.
A premissa é enganosa. Entre 2019 e 2022, a assistência à saúde no território foi desmantelada, com unidades fechadas ou destruídas, comunidades sem atendimento regular e grave subnotificação. O Ministério da Saúde documenta que a precariedade comprometeu a capacidade do Estado de identificar adoecimentos e óbitos. A partir de 2023, a retomada dos atendimentos, da busca ativa e da vigilância epidemiológica ampliou também o registro dos casos. Uma contagem menor sob Bolsonaro, portanto, não prova que tenham ocorrido menos mortes.
Os indicadores mais recentes contradizem a manchete da revista. Entre os primeiros semestres de 2023 e 2026, o total de óbitos caiu de 224 para 158, redução de 29,5%. As mortes por desnutrição recuaram 75,7%, e aquelas provocadas por infecção respiratória aguda diminuíram 40,8%. Padilha ressaltou ainda que as mortes por malária foram zeradas no primeiro semestre de 2026.
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Os dados mais recentes sobre os Yanomami mostram:
✅Mortes por desnutrição caíram 75%.
✅Por infecção respiratória aguda, 40%.
✅Mortes por malária foram zeradas no primeiro semestre de 2026. pic.twitter.com/fVnxhgSPQz— Alexandre Padilha (@padilhando) August 21, 2026
A reconstrução da assistência ajuda a explicar a mudança. O número de profissionais de saúde passou de 690 para mais de 2,1 mil. Sete polos-base foram reabertos e atualmente funcionam os 37 polos do território, 40 Unidades Básicas de Saúde e o Centro de Referência de Surucucu. As doses de vacinas aplicadas quase dobraram, de 11.273 para 20.267, enquanto a proporção de crianças menores de um ano com vacinação completa subiu de 28% para 57,6%.
A afirmação da Veja de que “o drama segue o mesmo” também ignora o combate ao garimpo ilegal. Entre março de 2024 e agosto de 2026, houve redução de aproximadamente 99% na abertura de novas áreas de garimpo. As operações causaram prejuízo estimado em R$ 768 milhões à atividade criminosa. Desde 2023, mais de 205 mil cestas de alimentos também foram distribuídas, ao lado de medidas para recuperar o acesso à água e a produção tradicional das comunidades.
O governo informou ainda que R$ 1,8 bilhão em créditos extraordinários aprovados pelo Congresso foi empenhado e vinculado às ações previstas. O STF encerrou por unanimidade a ADPF 709 depois de reconhecer o cumprimento das medidas determinadas para a proteção dos povos indígenas. Mesmo após incorporar a resposta oficial em uma atualização, a Veja manteve a manchete sobre um suposto “disparo” das mortes e preservou a narrativa de que nada teria mudado.
Padilha também criticou o uso de uma imagem antiga para representar a situação atual. O governo não afirma que a crise tenha terminado e reconhece a necessidade de manter as ações de saúde, segurança alimentar e combate ao garimpo. Os dados, porém, mostram queda nas mortes, reconstrução da assistência e recuperação da presença do Estado.