
Brasil e Estados Unidos voltarão à mesa na próxima semana para discutir as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump aos produtos brasileiros. A videoconferência foi acertada após a conversa entre os presidentes americano e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo informações do Metrópoles, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, procurou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, logo depois do telefonema presidencial desta sexta-feira (21). A data e os detalhes do encontro ainda serão definidos.
Lula e Trump conversaram por uma hora e 20 minutos. O brasileiro contestou as justificativas apresentadas por Washington para o tarifaço e afirmou que as cobranças prejudicam as duas economias. Segundo o Palácio do Planalto, Trump concordou com a necessidade de preservar os vínculos comerciais e propôs que as equipes retomassem as discussões.
Em julho, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos formalizou uma tarifa adicional de 25% contra uma série de mercadorias brasileiras. Outra cobrança, de 12,5%, foi aplicada a produtos de dezenas de países sob alegação de combate ao trabalho forçado. Nos itens alcançados pelas duas medidas, a sobretaxa pode chegar a 37,5%.

O governo americano usou como justificativas temas como comércio digital, funcionamento do Pix, acesso ao mercado de etanol, propriedade intelectual, combate à corrupção e desmatamento. Lula classificou as alegações como “infundadas” e já havia afirmado que o Brasil não aceitará mudanças no Pix por pressão estrangeira.
A negociação não começa do zero. Em julho, o governo brasileiro informou que as equipes dos dois países já haviam realizado cinco reuniões de alto nível desde o primeiro encontro entre Lula e Trump, em maio. O novo contato dá impulso político às conversas depois da entrada em vigor das tarifas.
A marcação da videoconferência não significa que o governo Trump tenha concordado em reduzir ou suspender as cobranças. Até o momento, não houve anúncio de recuo. A reunião será a primeira oportunidade de medir se o tom cordial do telefonema presidencial produzirá uma mudança concreta na política comercial dos Estados Unidos.