
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (21) que a Polícia Federal apure suspeitas de novos vazamentos de dados sigilosos em inquéritos que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A ordem alcança informações divulgadas em reportagens jornalísticas, mas Mendonça ressaltou que a investigação não deve mirar autores nem responsáveis pela publicação das matérias. A apuração deve buscar pessoas que “tinham o dever funcional de preservar o sigilo das informações”.
No despacho, o ministro afirmou haver “identidade entre os objetos das notícias recentemente veiculadas” e uma investigação que já tramita desde o início do ano. Ele também incluiu no procedimento a busca pela origem dos dados divulgados indevidamente.
O STF analisa três inquéritos que envolvem Lulinha. Dois deles apuram suspeitas de tráfico de influência em negociações relacionadas ao Ministério da Saúde e à Dataprev.

Inquéritos no STF e pedido da PGR
Um terceiro procedimento está sob relatoria do ministro Flávio Dino. Esse inquérito investiga possível atuação para favorecer interesses privados perante órgãos públicos, e seus detalhes permanecem sob sigilo.
A Procuradoria-Geral da República defendeu que ao menos dois dos inquéritos deixem o Supremo e sigam para a primeira instância da Justiça Federal. O argumento é que os casos não teriam investigados com foro privilegiado.
Mendonça, relator de dois procedimentos, avalia manter os processos no STF. O ministro considera que mensagens encontradas no celular de Roberta Luchsinger citariam autoridades com foro privilegiado.
A Polícia Federal ainda precisa aprofundar a análise dessas mensagens para esclarecer a eventual participação de autoridades e definir se há elementos que justifiquem a permanência dos inquéritos no Supremo.