
A Polícia Federal investiga uma suspeita de manipulação contábil na Casas Bahia que pode ter reduzido a base de cálculo de bônus e premiações de gerentes das lojas. A apuração mira os relatórios de faturamento usados pela varejista para definir a remuneração variável dos funcionários, segundo a coluna de Manoela Alcântara no Metrópoles.
Os investigadores suspeitam que a companhia retirou juros e encargos de vendas parceladas dos relatórios de desempenho das unidades. Com a contabilização apenas do valor à vista dos produtos, o faturamento considerado para as metas poderia ficar menor.
A PF analisa o uso de sistemas internos da empresa, entre eles PRWEB e Looqbox, empregados no acompanhamento de metas nas áreas de mercantil, móveis, serviços e crédito próprio. A investigação busca identificar se as ferramentas produziram dados que não refletiam integralmente o valor das vendas.
Gerentes relataram que não receberam integralmente as premiações. Ao questionarem a situação, eles teriam ouvido que os juros cobrados nos carnês pertenciam a bancos parceiros da rede.

Documentos sobre o crediário estão sob análise da PF
Ofícios do Banco Central e do Bradesco reunidos pelos investigadores contradizem essa explicação. Os documentos indicariam que a própria Casas Bahia respondia pelas operações de crédito e que a parceria com o banco não incluía o crediário por carnê.
A Polícia Federal apura a possível ocorrência de fraude ou falsificação a partir desses elementos. O inquérito também deve verificar se o método alcançou lojas de diferentes regiões, já que a empresa utiliza os mesmos sistemas internos em sua rede.
A investigação ocorre enquanto a varejista conduz uma reestruturação financeira e operacional. A empresa busca renegociar dívidas estimadas em R$ 17,3 bilhões e protocolou pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo.
O plano de reestruturação prevê o fechamento de 298 lojas e a demissão de 1,9 mil a 3 mil funcionários. O Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região suspendeu as demissões coletivas, enquanto a companhia mantém proteção temporária contra credores durante a análise da recuperação judicial.