
Entidades de torcedores de vários países lançaram uma petição que pede a renúncia de Gianni Infantino à presidência da Fifa e uma reforma ampla na estrutura da entidade. O movimento surgiu em meio à pressão sobre o dirigente após cogitar um projeto para vender o direito de publicidades da Copa do Mundo a um grupo ligado ao presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Depois de manifestações de entidades como Uefa e Concacaf, Infantino anunciou que a ideia não entrará em vigor.
A proposta previa participação de investidores na gestão de competições da Fifa, entre elas as Copas do Mundo masculina e feminina. Infantino abandonou o projeto depois da reação de confederações continentais.
Três confederações acusaram o presidente de “decepção” em uma carta aberta divulgada na semana anterior. A Uefa afirmou ter perdido a confiança na liderança de Infantino e planejava boicotar eventos da Fifa.
Em comunicado, os grupos de torcedores classificaram a tentativa de entregar a Copa do Mundo à iniciativa privada como uma traição ao futebol. “O plano de Infantino foi costurado em segredo. Negociado a portas fechadas. Escondido dos próprios membros da Fifa e dos milhões de pessoas cuja paixão faz do futebol o que ele é”, disseram.

Pedido reúne organizações de torcedores dos seis continentes
A petição foi lançada na plataforma Change.org e já recebeu apoio de organizações de torcedores ligadas às seis confederações continentais da Fifa. As entidades convidaram fãs a aderir ao pedido pela saída do dirigente.
“Um presidente que repetidamente trai o futebol e zomba do nosso jogo perdeu o direito de liderá-lo”, afirma o texto. “Pela credibilidade da Fifa e pelo futuro do jogo, ele deve renunciar.”
Os signatários também defendem a participação formal de torcedores e de outros setores ligados ao futebol nas decisões que definem o futuro do esporte. A reivindicação vai além da troca na presidência da entidade.
Ronan Evain, diretor executivo da Football Supporters Europe, uma das signatárias, disse que a saída de Infantino precisa abrir espaço para mudanças na governança. Ele afirmou que as reformas aprovadas em 2016 perderam efeito durante a atual gestão e citou modelos como presidências rotativas; a Fifa recebeu pedido de comentário.