
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer que a divulgação de informações sigilosas da investigação sobre seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, seja apurada e defende que ele deponha rapidamente à Polícia Federal. Lula avalia que o depoimento pode esclarecer as suspeitas levantadas no caso.
Os dados vazados envolvem mensagens trocadas entre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger, investigada sob suspeita de intermediar negócios junto ao governo. As informações também incluem conversas com um ex-chefe de gabinete ligado à apuração.
Já tramita no Supremo Tribunal Federal um inquérito sobre a divulgação de informações protegidas por sigilo em investigações em curso. O ministro Flávio Dino relata o procedimento, enquanto a Procuradoria-Geral da República pediu que o caso envolvendo Lulinha deixe o STF e siga para a primeira instância.
Nesta quarta-feira (19), Lula conversou longamente com o advogado Marco Aurélio Carvalho, amigo do presidente e responsável pela defesa de Lulinha. A versão oficial apontou a campanha presidencial de 2026 como tema da reunião, mas a situação do filho e as investigações também entraram na conversa.

Lula diz não haver prova de ato de ofício em favor de lobista
O presidente defende o filho com o argumento de que a investigação ainda não identificou nenhum “ato de ofício” que indique atuação de Lulinha para viabilizar negócios no governo em favor de Roberta Luchsinger. Mesmo assim, Lula considera importante que ele fale logo à PF para reduzir as dúvidas sobre o episódio.
Reservadamente, Lula tem reclamado do que classifica como “vazamento seletivo” de informações. Interlocutores relatam que o presidente vê exposição concentrada em dados relacionados a Lulinha, com potencial de desgastá-lo politicamente durante o período eleitoral.
Como contraponto, Lula cita a investigação sobre o financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O PT pediu à Polícia Federal que apure os recursos destinados ao filme, sob suspeita de uso de parte dos valores em finalidades diferentes das declaradas, inclusive na permanência do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.
Investigadores afirmaram que a Polícia Federal avançou no rastreamento do caminho dos recursos destinados ao filme sobre Bolsonaro. Pessoas envolvidas na apuração avaliam que o inquérito dificilmente terá conclusão antes das eleições.