Alckmin libera R$ 10 bilhões em crédito para máquinas em feira do agro

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. Foto: Divulgação

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), anunciou neste domingo (26), durante a abertura da Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP), a liberação de uma linha de crédito especial de R$ 10 bilhões destinada aos produtores rurais.

A medida visa facilitar a aquisição de máquinas e implementos agrícolas, como tratores e colheitadeiras, com juros reduzidos, na casa de um dígito. A decisão foi tomada em um cenário de desafios para o agronegócio brasileiro, que enfrenta críticas do setor em relação à condução do governo atual.

Nos últimos anos, grandes eventos agrícolas, como a própria Agrishow, tornaram-se palco para figuras políticas alinhadas à direita. O anúncio de Alckmin acontece em um momento crítico, quando a tensão no setor tem se intensificado.

“A gente imagina que em três semanas estará liberada, são R$ 10 bilhões para financiar trator, implementos, colheitadeiras, enfim, toda a parte de máquinas agrícolas, pela própria Finep”, afirmou o vice-presidente.

Ele também destacou que a expectativa é de que o crédito seja disponibilizado rapidamente para apoiar a modernização da agricultura nacional. A Agrishow, em sua 31ª edição, não divulgou uma estimativa de negócios gerados, algo que é tradicionalmente feito.

Pela primeira vez, o evento, que conta com a participação de 800 expositores — sendo 100 estreantes —, decidiu não apresentar essas previsões. Estiveram presentes no evento os ministros André de Paula (Agricultura) e Fernanda Machiaveli (Desenvolvimento Agrário), além do próprio Alckmin.

Em seu discurso, o presidente da Agrishow, João Marchesan, destacou que os custos de produção estão pressionando as margens de lucro dos produtores, que enfrentam taxas de juros elevadas. Ele ressaltou a importância de uma gestão precisa dos negócios para sobreviver ao atual cenário econômico.

Além disso, Marchesan pediu à ministra do Desenvolvimento Agrário atenção ao próximo Plano Safra. Geraldo Melo Filho, secretário da Agricultura de São Paulo, também se manifestou sobre a situação do agronegócio no país.

“Custos pressionados, crédito restrito e juros que inviabilizam é o preço e inadimplência e recuperações judiciais. 
Essa é a realidade, com margens espremidas e juros quase extorsivos”, disse ele.

Alckmin, em sua fala, também abordou a questão das dívidas agrícolas. O vice-presidente informou que o governo federal tratará das renegociações de dívidas, tanto para aqueles que estão inadimplentes quanto para os que estão adimplentes. Porém, não foram dados mais detalhes sobre as condições desse processo de renegociação.

Em relação ao Plano Safra, o ministro da Agricultura, André de Paula, apontou que um dos principais objetivos para o ano é garantir um recorde no volume de financiamentos e assegurar taxas de juros que viabilizem o acesso dos produtores aos recursos necessários para a manutenção e expansão de suas atividades.

A Agrishow segue aberta ao público entre esta segunda-feira (27) e sexta-feira (1º), em uma fazenda localizada às margens do km 321 da rodovia Antônio Duarte Nogueira, em Ribeirão Preto.

Em 2025, a feira alcançou um recorde de intenções de negócios, com R$ 14,6 bilhões (R$ 15,2 bilhões ajustados pela inflação), e atraiu um público de 197 mil visitantes, o maior número desde sua primeira edição, em 1994.

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