
O uso de chatbots de inteligência artificial (IA) para aconselhamento de saúde tem se tornado cada vez mais comum, especialmente entre pessoas que enfrentam dificuldades para acessar médicos e especialistas. Abi, uma jovem de Manchester, tem utilizado o ChatGPT para lidar com questões de saúde, observando tanto benefícios quanto desvantagens. Em alguns casos, a IA proporcionou orientações mais personalizadas do que uma simples busca na internet, que frequentemente leva a informações alarmantes. “Ele ajuda a resolver problemas em conjunto, quase como conversar com um médico”, diz Abi.
No entanto, a experiência de Abi não foi completamente positiva. Em um episódio, ela consultou o chatbot após uma queda, sentindo dores intensas nas costas e no estômago. O ChatGPT sugeriu que ela havia perfurado um órgão e deveria procurar atendimento médico imediato. Após ser atendida no pronto-socorro e constatar que a situação não era grave, Abi percebeu que a IA havia dado uma orientação errada. “Ela cometeu um erro, mas o problema é que foi muito convincente”, explicou.
Esse tipo de erro tem gerado preocupações entre especialistas. O diretor médico da Inglaterra, Chris Whitty, alertou sobre os riscos do uso de chatbots para questões de saúde. Ele apontou que, embora a IA forneça respostas com confiança, muitas vezes essas respostas são incorretas e podem colocar as pessoas em risco. Pesquisas feitas pela Universidade de Oxford mostraram que, enquanto a precisão dos chatbots pode ser alta em cenários controlados, ela cai drasticamente em interações reais, resultando em diagnósticos errados em duas de cada três consultas.
Apesar desses riscos, a IA tem sido elogiada por sua acessibilidade e rapidez em fornecer conselhos. No Reino Unido, por exemplo, algumas farmácias já permitem que a IA prescreva antibióticos em casos simples, como infecções urinárias. Isso alivia a pressão sobre o sistema de saúde e permite que as pessoas recebam tratamento rapidamente. No entanto, isso levanta uma questão importante: até onde a IA pode substituir a consulta humana sem comprometer a qualidade do atendimento?

A crescente popularidade dos chatbots de IA levou a uma maior análise sobre como eles impactam a saúde pública. Um estudo conduzido pelo Instituto Lundquist, nos Estados Unidos, revelou que a IA muitas vezes fornece desinformação, especialmente quando questionada sobre tratamentos alternativos para doenças graves como câncer. O chatbot, ao ser questionado sobre o uso de medicina alternativa para tratar câncer, sugeriu o uso de terapias naturais, o que é amplamente desacreditado pela comunidade médica.
Os pesquisadores destacam que a principal falha dos chatbots é a maneira como eles fornecem respostas imprecisas com grande confiança, o que pode levar os usuários a acreditar que estão recebendo informações corretas. Para os especialistas, isso é particularmente perigoso em um contexto de saúde, onde erros podem ter consequências graves. A abordagem da IA, que tenta prever a resposta mais provável com base no que foi escrito, nem sempre leva em consideração o contexto completo de uma situação médica.
Com o avanço das tecnologias, os desenvolvedores estão trabalhando para melhorar a precisão dos chatbots, incluindo consultas com médicos para testar e ajustar os algoritmos. A OpenAI, responsável pelo ChatGPT, declarou estar ciente dos problemas e afirmou que a IA deve ser usada como ferramenta de educação e informação, e não como substituto para um diagnóstico médico profissional. Mesmo com melhorias, a companhia adverte que a confiança absoluta na IA pode ser arriscada.
Enquanto isso, usuários como Abi continuam a utilizar os chatbots, mas com cautela. Ela recomenda analisar todas as respostas da IA com cuidado, considerando que, em muitos casos, as informações podem ser imprecisas. “Eu não confiaria em tudo o que ele disser como a verdade absoluta”, diz ela, reconhecendo tanto os benefícios quanto os riscos de confiar em um chatbot para questões de saúde.