GCM de Ricardo Nunes copia polícia do Rio e cerca favela para vingar morte de agente

Agente da GCM de São Paulo. Foto: Vicent Bosson/Estadão

A morte da agente Sara Andrade dos Reis, de 34 anos, levou a Guarda Civil Metropolitana de São Paulo, da gestão de Ricardo Nunes (MDB), a intensificar a presença em favelas da zona sul da capital, em um cerco semelhante às operações letais da Polícia Militar no Rio de Janeiro. Ela foi morta na manhã de domingo (19), durante um latrocínio na alça de acesso da rodovia dos Imigrantes para o viaduto Matheus Torloni, na Água Funda.

Desde o crime, equipes da GCM passaram a atuar em áreas do Jabaquara e da Vila Santa Catarina. A corporação chama a ação de saturação e afirma que o objetivo é buscar informações sobre os suspeitos e localizar a arma da guarda-civil, levada após o ataque. Apenas o coldre foi encontrado ao lado do corpo.

A operação mobilizou unidades como a Ronda Ostensiva Municipal (Romu), a Inspetoria de Ações Táticas Especiais (Iate), o canil e a Inspetoria com Apoio de Motocicletas (Iamo). As equipes foram deslocadas para a zona sul em um modelo semelhante ao adotado pela Polícia Militar quando agentes da corporação são vítimas de violência.

As incursões ocorrem em vielas e becos, com uso de armas longas e apoio de denúncias anônimas. Desde a morte de Sara, guardas têm circulado pelas favelas Alba, Vila Clara e Imprensa, todas próximas ao local onde a agente foi baleada. Segundo a Folha, ela teve a arma e o celular levados por dois suspeitos que fugiram em uma motocicleta.

A GCM Sara Andrade, assassinada em SP. Foto: reprodução

Moradores da região relataram aumento na presença de equipes da GCM e da PM. Fontes da Polícia Militar afirmaram que denúncias sobre possíveis suspeitos foram recebidas, mas nenhuma foi confirmada até o momento. Ainda assim, o reforço no patrulhamento segue na região.

Entre as comunidades citadas, a favela Alba concentra a maior atenção das ações. Procurada, a gestão Ricardo Nunes confirmou uma incursão nesta sexta-feira (24) no local, com foco na repressão de crimes e no combate ao tráfico de drogas. “Durante a ação, um indivíduo foi conduzido ao 35º Distrito Policial para averiguação”.

O Ministério Público de São Paulo foi questionado sobre o acompanhamento da operação e sobre a possibilidade de a GCM realizar patrulhamentos e incursões em favelas em busca de suspeitos. Em nota, a Promotoria afirmou apenas “que as ações implementadas pelas guardas civis estão no escopo de atuação da instituição, responsável pelo controle externo da atividade policial”.

Para Bruno Langeani, consultor sênior do Instituto Sou da Paz, o reforço preventivo após um caso de violência letal pode ser legítimo quando feito de forma adequada. “Passa uma mensagem ao crime de que atos de violência letal não serão tolerados.”

Ele, porém, fez um alerta sobre os riscos de a ação se transformar em abuso contra moradores. “O problema é quando isto está desacompanhado de investigação, que é o principal gargalo da perpetuação do crime de roubo com arma de fogo em altos patamares no país, e se esta operação for feita para esculachar morador ou praticar violações, como foi o histórico da operação Escudo. Ou seja, saturação e operação vingança são coisas bem diferentes”, acrescentou Langeani.

Sara morava em Diadema, no ABC paulista, e seguia de motocicleta para a base da GCM no Jabaquara, onde trabalhava. Ela estava há três anos na corporação. No mesmo dia, cerca de três horas depois, Luciano Teixeira dos Santos, de 46 anos, também foi vítima de latrocínio em Moema, na zona sul.

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