
O ministro do STF, André Mendonça, concedeu autorização nesta quarta-feira (22) para que Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, saia da superintendência da Polícia Federal em Brasília para realizar exames médicos. O banqueiro está detido na unidade desde 19 de março, quando foi transferido do Presídio Federal de Brasília para tratar dos termos de sua delação premiada. As informações são da Folha de S.Paulo.
A autorização foi concedida após relatos de problemas de saúde que surgiram nos últimos dias. Vorcaro apresentou mal-estar na segunda-feira (20), recebeu atendimento médico na prisão e teria relatado a presença de sangue na urina no final de semana. Como Mendonça é o relator do caso Master no Supremo, a liberação da custódia dependia de sua aprovação. A decisão e os demais documentos do processo permanecem em sigilo.
Antes de ser transferido para a sede da PF, Vorcaro esteve sob a custódia do sistema penitenciário federal de segurança máxima. Durante esse período, ficou três dias confinado em uma cela e 13 dias sem ter acesso ao sol, após ser enviado para uma unidade de isolamento destinada à recepção de novos presos. Ele também passou três noites com a luz da cela acesa, sob vigilância constante do presídio.

Daniel Vorcaro foi detido pela primeira vez em 17 de novembro, no Aeroporto de Guarulhos, enquanto tentava embarcar para fora do país. A Polícia Federal suspeitou que ele estava tentando fugir, enquanto a defesa alegou que a viagem tinha como propósito encontrar investidores interessados na aquisição do Banco Master. Ele foi liberado dez dias depois.
O banqueiro foi novamente preso em 4 de março deste ano, durante uma fase da operação Compliance Zero, que também envolveu servidores do Banco Central. Posteriormente, houve uma mudança em sua defesa, com a contratação do advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, que já participou em negociações de delações premiadas em casos de grande notoriedade.
Na última quinta-feira (16), a Polícia Federal prendeu o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, em uma nova etapa da investigação. Ele é alvo de investigações por sua participação na tentativa de compra do Master pelo BRB, na aquisição de carteiras que pertenciam ao banco e em operações que levaram Vorcaro e seus associados ao quadro acionário da instituição. Nesta quinta-feira (22), Costa também alterou sua equipe de defesa.