Aumento de 14% nas Greves em 2025: de 880 para 1.006 Mobilizações

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Em 2025, o total de greves aumentou em 14% em comparação a 2024, passando de 880 para 1.006 mobilizações, conforme dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Essa informação faz parte do relatório “Balanço das Greves de 2025”, publicado na semana passada, que revela que as greves, desde 2016, têm sido vistas como o último recurso dos trabalhadores em situações de vulnerabilidade.

Entre as 1.006 greves registradas, 54% foram organizadas por trabalhadores do setor privado, enquanto a maior parte das horas paradas, 55%, foi atribuída ao serviço público.

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No total, as mobilizações resultaram em 33 mil horas de paralisações. Embora o número de greves tenha aumentado, a duração das mobilizações diminuiu em 10% em comparação a 2024, que contabilizou 36,7 mil horas paradas.

“Esse declínio foi observado principalmente no setor público (-22%). Nas empresas estatais, a duração das mobilizações se manteve quase a mesma, enquanto no setor privado houve um aumento de 13% nas horas paradas. De qualquer forma, segundo esse critério, as greves no setor público continuaram a ser mais longas do que aquelas no setor privado”, destaca o estudo.

Principais pautas

A seguir, veja as principais pautas de reivindicações, lembrando que uma única greve pode incluir mais de uma demanda, o que faz com que a soma ultrapasse 100%:

  • reajuste salarial (35%);
  • reivindicações relativas à alimentação (28%);
  • pagamentos de salários atrasados (26%);
  • melhoria nas condições de trabalho (24%);
  • exigência de mais investimentos nos serviços públicos (24%);
  • oposição a medidas propostas ou implementadas pelos governos (22%).

Métodos de resolução e resultados

Segundo o Dieese, em 356 registros (35% do total) foram obtidas informações sobre os métodos utilizados para resolver as greves. Na maioria dos casos (88%), foram iniciadas negociações. Contudo, em 115 situações (32%), foi necessária a intervenção da Justiça.

Sobre os resultados, em 351 registros de greves (35% do total) é possível identificar o desfecho. Deste conjunto, houve atendimento das reivindicações em 256 mobilizações (73%), com 73 casos (20,8%) obtendo atendimento integral e 183 (52,1%) tendo atendimento parcial. Outras 23 mobilizações (6,6%) tiveram suas reivindicações rejeitadas e em 119 (33,9%) as negociações continuaram. Conforme o levantamento, a soma dos resultados pode superar o total analisado, uma vez que uma mesma greve pode gerar mais de um resultado.

Último recurso dos trabalhadores

De acordo com o Dieese, desde 2016 e sem previsão de término, as greves se tornaram “o último recurso dos trabalhadores que, em suas atividades, enfrentam as maiores precariedades”.

Este grupo vulnerável abrange trabalhadores do setor público na educação e na saúde, eletricitários, carteiros de estatais, e todos os terceirizados de empresas privadas.

A avaliação realizada indica que a vida profissional desses trabalhadores tem sido marcada por atrasos nos pagamentos, falta de insumos e ferramentas, além de jornadas extenuantes. Essas queixas estão presentes em mais de 50% das pautas de reivindicações analisadas – pagamentos de salários atrasados (26%) e melhores condições de trabalho (24%).

Adicionando-se às pautas mencionadas, a solicitação por reajuste salarial, presente em 35% dos protestos, torna a situação ainda mais alarmante. É importante ressaltar que a luta por reajuste muitas vezes deixou de ser apenas uma busca por ganho real (acima da inflação) e passou a ser uma defesa para evitar que a desvalorização dos salários se assemelhe a um desconto salarial, uma realidade que persiste há décadas no serviço público.

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Por fim, o Departamento Intersindical alerta sobre a falta de coesão nas mobilizações, o que tem contribuído para a precarização do trabalho e reflete o cenário de ataque à atividade sindical, que afeta principalmente as categorias mais vulneráveis, como aquelas sujeitas a terceirizações.

“É fundamental enfatizar: a disputa realizada especificamente por meio das greves, na qual também estão em jogo projetos de sociedade muito distintos, especialmente no que diz respeito à concepção dos direitos trabalhistas e de cidadania, tem ocorrido de forma dispersa, sem grande visibilidade e, principalmente, por trabalhadores que, na sua maioria, recebem menos, possuem menor qualificação profissional e estão mais expostos às arbitrariedades das chefias”, conclui o estudo, que utiliza como base o Sistema de Acompanhamento de Greves, que agrega informações sobre as mobilizações dos trabalhadores brasileiros desde 1978.

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