Fernanda, a mulher “Doriana” de Flávio Bolsonaro, sob investigação: “Reeduquei ele

Fernanda Santos e o marido Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro produziu um conteúdo publicitário que remete a um comercial de margarina, apresentando-se como um pai amoroso, um marido dedicado e um homem familiar. O foco desse discurso é demonstrar a necessidade de distanciar-se da imagem de seu pai, a fim de se posicionar como o moderado que seu grupo político espera que ele seja.

Flávio sente a necessidade de negar seu pai repetidamente para se estabelecer como um político sensato, um indivíduo comedido, um Bolsonaro equilibrado.

Aqueles que precisam investir em publicidade para provar sua moderação são, na verdade, os que não possuem tal qualidade. O extremismo de Jair é um fardo que Flávio não pode carregar em sua campanha e, para isso, ele conta com uma figura central em sua estratégia: a esposa, Fernanda Antunes.

É Fernanda quem afirma no vídeo que Flávio é o “Bolsonaro moderado” e que ela o “reeducou”.

Contudo, é crucial lembrar que Fernanda não é a esposa ideal que já se projeta como a primeira-dama. Ela desempenha um papel significativo em diversas investigações envolvendo a família Bolsonaro, que vão desde as rachadinhas do marido até tentativas de fuga e asilo do sogro, Jair Bolsonaro, na Argentina.

Quem é Fernanda Antunes, mulher de Flávio Bolsonaro?

Dentista com especialização em ortodontia e ortopedia facial, Fernanda é casada com Flávio Bolsonaro desde 2010 e o casal tem duas filhas.

Em agosto do ano passado, um relatório da Polícia Federal apontou Fernanda como autora e última editora de um documento editável, sem data e assinatura, solicitando asilo político urgente para Jair Bolsonaro ao presidente argentino Javier Milei.

Esse documento foi encontrado pela PF no celular de Jair Bolsonaro, dois dias após ele ter entregue seu passaporte à Justiça. Segundo a PF, o conteúdo do documento indica que Bolsonaro, desde fevereiro de 2024, planejava ações para fugir do país, visando evitar a aplicação da lei penal.

O relatório da Polícia Federal apresentou os metadados do documento de 33 páginas, que indicam que o arquivo foi criado por um usuário identificado como “Fernanda Bolsonaro”, que também é a última editora do documento.

O Ministério Público do Rio de Janeiro também acusou Fernanda, seu marido e outros envolvidos de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e apropriação indébita no esquema das rachadinhas da Alerj. Segundo o MP, ela não declarou R$ 350 mil em gastos na compra de uma loja da rede Kopenhagen, adquirida em conjunto com Alexandre Santini. Ambos negam as alegações.

Além disso, o MP alega que Flávio Bolsonaro e Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro utilizaram dois apartamentos para lavar dinheiro arrecadado através de “rachid” em seu gabinete. Os imóveis investigados, localizados em Copacabana, foram adquiridos por Flávio em 27 de novembro de 2012, da mesma pessoa, um cidadão americano. O vendedor declarou, em depoimento, que não autorizou a transação.

Em 2021, a Quinta Turma do STJ decidiu anular as provas do caso. Os ministros acataram um recurso da defesa do senador, que alegou ter direito a foro privilegiado e que o caso não deveria ter sido julgado por um juiz de primeira instância. No ano seguinte, o TJ-RJ aceitou o pedido do MP e rejeitou a denúncia apresentada.

Depósitos feitos em sua conta por Fabrício Queiroz, considerado operador do esquema, levantaram suspeitas. Ademais, Fernanda foi associada a transações imobiliárias questionáveis, incluindo compras em Copacabana e a aquisição de uma mansão de R$ 6 milhões, com prestações incompatíveis com a renda declarada.

Fernanda, um policial e as suspeitas financeiras

Em 2019, o MP-RJ apontou que um policial militar teria feito pagamentos de boletos em nome da dentista.

O policial é Diego Sodré Ambrósio, que, na época, era cabo da PM. Em 2019, um cabo da PM tinha como base de seu salário mensal o valor de R$ 4.000,00. Mesmo assim, ele teria quitado um boleto de R$ 16.564,81 em nome de Fernanda Bolsonaro.

Sodré também fez transferências bancárias para outros assessores da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, além de depósitos na conta da loja Kopenhagen, da qual Flávio é sócio.


O policial militar fundou a empresa Santa Clara Serviços, que passou a ser alvo de apuração da corregedoria interna da PM após reportagens sobre assédio a moradores de Copacabana para contratação de serviços de segurança privada voltados à remoção de pessoas em situação de rua.

De acordo com promotores que investigam o esquema de rachid, Diego Ambrósio e sua empresa também realizaram transferências e depósitos na conta da loja de chocolates de Flávio Bolsonaro entre 2015 e 2018, período coincidente com a aquisição da franquia pelo parlamentar.

Posteriormente, o policial foi designado assessor da Comissão do Servidor Público da Alerj, presidida pelo deputado estadual Bruno Dauaire, do PSC-RJ, considerado um dos aliados mais próximos de Flávio Bolsonaro.

Em entrevista ao UOL, Sodré afirmou que Flávio Bolsonaro lhe entregou mais de R$ 16 mil em dinheiro. Esse montante corresponderia ao pagamento de uma prestação de um imóvel registrado em nome de Flávio e de sua esposa, quitada por meio da conta bancária do policial. Para os promotores, essa transação pode ter sido utilizada para lavar recursos de origem ilícita.

“Eu paguei o boleto para um amigo de dez anos, durante uma confraternização, para que ele não precisasse ir ao banco. Ele me ressarciu no dia seguinte. O valor é subjetivo, né? Para quem ganha R$ 1.000 é muito. Para quem ganha R$ 20 mil ou R$ 30 mil, pagar R$ 15 mil não é grande coisa”, declarou. O policial assegura que Flávio devolveu o valor pago em espécie.

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