O influencer e coach Pablo Marçal propagava a imagem de empresário bem-sucedido ao eleitorado paulistano durante a campanha para a Prefeitura em 2024 em suas redes sociais, mas uma análise revela uma longa trama de fintechs, inclusive envolvidas em operações da Polícia Federal.
Na época, Marçal chegou a declarar à imprensa que comprou um banco e uma seguradora. O banco seria o General Bank, que estaria “autorizado” a funcionar pelo Banco Central, e a seguradora Loovi, empresa com registro de funcionamento na Susep.
Porém, reportagem do site Metropoles mostra que o banco não é banco, e a seguradora não é seguradora. Ambas empresas não possuem autorização para funcionar em seus respectivos setores.
O ponto de ligação de Marçal com essas empresas seria a BRM1, uma empresa fundada por Rogério Tavares Pierro, que intermedia interessados em abrir novas fintechs a um banco autorizado para alojar as operações – e emite cartões pré-pagos para os clientes movimentarem o dinheiro.
Reportagem do The Intercept Brasil lembra que o General Bank foi lançado com o apoio dos serviços da BRM1 e com a participação da B4A, empresa registrada no nome do filho de Pierro, Bruno Pierro.
A BRM1 tinha em sua carteira de clientes o YouBanking, banco que na ocasião compartilhava o mesmo CNPJ com uma fintech chamada Zuri, instituição financeira projetada para evitar bloqueios judiciais – e que teve, em sua concepção, a participação de um delegado da Polícia Federal.
Fontes ouvidas pela publicação revelam ainda que o modo de funcionamento do Zuri era o mesmo usado pelas fintechs que foram alvo da Operação Concierge, deflagrada pela Receita Federal e pela própria PF em agosto de 2024, tratando do uso de plataformas de pagamento para fraudar operações financeiras.
Essa investigação apontava a movimentação de R$ 7,5 bilhões por duas fintechs, a Inovepay (ou I9pay) e T10 Bank, a benefício de clientes, sem fiscalização, permitindo lavagem de dinheiro, pagamentos ilícitos e transações de organizações criminosas. Entre os sócios dessas empresas que foram alvos dos mandados da PF estão Patrick Burnett, presidente e sócio da I9pay, e José Rodrigues, sócio do T10 Bank.
Seguradora terceirizada
Marçal também se dizia investidor da fintech de seguros Loovi, uma representante e revendedora de seguros que não possui registro como seguradora oficial junto à Superintendência de Seguros Privados (Susep).
Além de prometer coberturas que não estava autorizada a oferecer, a Susep apontou que a Loovi não cumpria obrigações de informar claramente os consumidores sobre os riscos e responsabilidades dos serviços oferecidos e exigiu a retirada de material que a divulgava como seguradora.
A empresa, cujo nome legal é CW Technology Ltda, vinha se apresentando publicamente como seguradora, o que motivou a suspensão temporária de suas atividades pela Susep em março de 2025, com base em denúncias da Federação Nacional dos Corretores de Seguros (Fenacor).
“Na prática, ela (Loovi) é uma revendedora de seguros, e os únicos produtos que ela revende são os da LTI Seguros, como informam os próprios sites das duas companhias. As duas pertencem a Quézide Nunes, sócio de Marçal e um dos representantes do universo “coach” de prosperidade”, destaca a Fenacor.
Pablo Marçal, que explorou sua ligação com a Loovi durante as eleições de 2024, aparece em vários vídeos nas redes sociais a exaltando como a “Netflix das seguradoras”, embora a sociedade não conste na Receita Federal.
“Uma busca por “Marçal” e “seguradora” no Google levava até pelo menos fevereiro ao resultado patrocinado pela Loovi, “Seguradora do Pablo Marçal”, que leva ao site da empresa”, destacou a Fenacor.