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Foto: Tomás Levy
O Sebo Casa do Livro, localizado na Rua Teodoro Sampaio, na zona oeste de São Paulo, tem em seu catálogo um disco de vinil intitulado “Inferno de Hitler”, com marchas e canções da Alemanha Nazista.
“Palavras… músicas… emoção… o trágico testamento do reinado nazista”, diz o subtítulo do LP, cuja capa mostra um comício de Adolf Hitler, com suásticas ao fundo. O exemplar, fabricado pela empresa Audio Rarities, é vendido a R$ 100 e tem a narração do jornalista Luiz Lopes Corrêa.
O repórter Tomás Levy estava na loja quando se surpreendeu com o disco exposto em uma prateleira. O vinil, embalado em plástico e em bom estado de conservação, estava entre outros títulos de música brasileira e norte-americano.
“Estou aqui no sebo, quando me deparo com esse absurdo aqui”, diz Tomás, ao apresentar o disco nazista. “Como que um LP desse circula pelas ruas e lojas do nosso mundo atual? Bizarro”. Veja:
A Rua Teodoro Sampaio,que atravessa os bairros de Pinheiros e Cerqueira César, é um dos principais locais de comércio de instrumentos musicais em São Paulo, reunindo dezenas de lojas especializadas que atendem desde iniciantes até músicos profissionais.
A comercialização de materiais que fazem apologia ao nazismo é proibida no Brasil, de acordo com a Lei 7.716/1989, que criminaliza a fabricação, distribuição e veiculação de símbolos ou propagandas desse tipo.
Contudo, brechas na legislação frequentemente são exploradas para a venda de itens históricos sob a justificativa de valor documental. Sebos e lojas de antiguidades costumam alegar que não compactuam com ideologias extremistas, apenas disponibilizam artefatos do passado.