
Na manhã desta terça-feira (25), horas antes do início do julgamento que pode torná-lo réu por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) desembarcou no Aeroporto de Brasília para acompanhar a sessão diretamente do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em fala rápida com jornalistas, o inelegível argumentou que entrará com uma ação para impedir que seja julgado diretamente pela 1ª Turma do STF.
“Meus advogados vão levantar a tese de novo sobre o foro. Onde o Lula foi julgado? Primeira instância. Há poucas semanas mudou-se o entendimento de foro. Para exatamente eu ficar na Primeira Turma (do STF). Depois questionaram a questão de plenário. Estão mantendo ainda a Primeira Turma”, ignorando a tese de federalização do julgamento por golpe de Estado, o que explica a seleção da Corte.
“A lava-jato teve quase 200 delações. A minha teve uma, completamente irregular”, disparou Bolsonaro, em outra comparação descabida. Apenas nos primeiros 5 anos de lava-jato, a Operação abriu mais de 300 inquéritos, apontou para mais de 600 réus e fechou 285 condenações, justificando o igualmente alto volume de acordos por delação premiada.
Bolsonaro chegou a Brasília nesta terça-feira (25). No aeroporto, antes de se dirigir ao STF para acompanhar o julgamento que pode torná-lo réu, ele comentou o caso que corre contra ele e disse esperar justiça.
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Após participar de um podcast ao lado de Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, o ex-presidente voltou a Brasília e ficará sentado na primeira fila do plenário ao lado de aliados como os deputados Luciano Zucco (PL-RS) e Evair de Mello (PL-ES).
Ainda na conversa com jornalistas, o ex-presidente, que se diz vítima da “maior perseguição político-judicial da história do Brasil”, também atacou a delação premiada de seu ex-ajudante Mauro Cid, classificando-a como “completamente irregular do começo ao fim” e alegando que foi obtida sob coação.
Também na manhã desta terça-feira, em mensagem aos colegas de partido, o deputado Evair de Mello determinou a obstrução de todas as comissões da Casa, com exceção da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CREDN), numa clara demonstração de força política que promete paralisar parte dos trabalhos legislativos enquanto durar o julgamento.
O STF, por sua vez, preparou um esquema de segurança sem precedentes para o julgamento, incluindo desde varreduras antibombas até medidas especiais contra possíveis ciberataques, reflexo do clima de tensão que cerca o processo.
A expectativa entre ministros é que a denúncia seja recebida por unanimidade, o que tornaria Bolsonaro réu formalmente em um caso que remonta às ações supostamente tomadas para mantê-lo no poder após sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022.
Enquanto isso, a defesa do ex-presidente trabalha em três frentes principais: questiona a competência do STF para julgar o caso, alegando que Bolsonaro deveria responder em primeira instância; ataca a validade da delação de Mauro Cid, afirmando que os advogados não tiveram acesso integral aos autos; e critica o prazo curto para preparar a defesa, já que teriam tido apenas 15 dias para analisar mais de 100 mil páginas de processo.
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