Filho de Bolsonaro não perdia as peladas no Aterro e os Jogos Jurídicos na época da faculdade de Direito da UFRJ. Foto: Fotos de Reprodução

Antes de ingressar na política, Eduardo Bolsonaro levava uma vida distante dos gabinetes. Durante a juventude, era presença constante nas praias do Rio de Janeiro, nas chopadas da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ e nas peladas de futebol no Aterro do Flamengo. Apelidado pelo pai de “vagão” — abreviação de “vagabundo” — e pelos colegas de “He-Man” por causa da cabeleira loira, segundo reportagem publicado no jornal o Globo, ele cultivava a imagem de surfista e playboy carioca, sem demonstrar interesse por temas políticos.

Na faculdade, Eduardo chegou a se aproximar de integrantes da banda Forfun, aparecendo até em um clipe da música “História de Verão”. Conhecido por ser sociável, transitava bem entre diferentes grupos, incluindo o centro acadêmico dominado por partidos de esquerda. Ainda assim, manteve distância das disputas estudantis, considerando-as pouco relevantes. Seu máximo envolvimento com a política nesse período foi ocupar um cargo de assessor no gabinete da liderança do PTB, em Brasília, por pouco mais de um ano.

Após a formatura em 2009, ainda segundo o Globo, Eduardo buscou experiências fora da política. Fez intercâmbios nos Estados Unidos e em Portugal, trabalhou como escrivão da Polícia Federal e viveu por anos em São Paulo, onde começou a se aproximar das estratégias políticas do pai. Essa mudança de trajetória o levou a disputar sua primeira eleição apenas em 2014, aos 30 anos, quando conquistou uma cadeira na Câmara com 82,2 mil votos.

Eduardo chegou a aparecer em um clipe da banda Forfun. Foto: Fotos de Reprodução

O salto de Eduardo aconteceu em 2018, durante a onda bolsonarista. Ele se tornou o deputado federal mais votado da história do país, com 1,8 milhão de votos em São Paulo. Diferente dos irmãos Flávio e Carlos, que já tinham trajetórias políticas consolidadas, Eduardo encontrou seu espaço ao se projetar internacionalmente, aproximando-se de redes globais da extrema-direita.

Foi durante o governo de Jair Bolsonaro que Eduardo ganhou protagonismo dentro da família. Com Flávio enfraquecido por investigações sobre rachadinhas e Carlos concentrado nas redes sociais, ele passou a ocupar o espaço do pai na Câmara. Nesse período, intensificou sua atuação internacional, principalmente em articulações com aliados políticos nos Estados Unidos, o que se tornou marca de sua trajetória.

Hoje, Eduardo é um dos principais alvos da investigação que levou Jair Bolsonaro à prisão domiciliar. Interlocutores descrevem um filho ressentido com o pai, sentimento exposto em mensagens apreendidas pela Polícia Federal, nas quais chegou a insultar Jair. De “vagão” e “He-Man” do Rio ao pivô de crises diplomáticas, a trajetória de Eduardo Bolsonaro mostra a transformação de um jovem desinteressado em política em um ator central da estratégia bolsonarista.

Categorized in:

Governo Lula,

Last Update: 31/08/2025