Quatro fugitivas brasileiras que foram condenadas pelos atos golpistas do 8 de janeiro de 2023, quando bolsonaristas invadiram e depredaram os prédios da Praça dos Três Poderes, foram presas ao tentar entrar ilegalmente nos Estados Unidos.
Elas tinham como objetivo conseguir refúgio político com o governo de Donald Trump, considerado aliado de Jair Bolsonaro (PL). Um detalhe: a prisão delas ocorreu um dia após a posse de Trump.
Conforme o UOL, que conseguiu informações da Polícia de Imigração e Alfândega dos EUA, as foragidas “aguardam a expulsão para seus países de origem”.
As quatro prisões, segundo a Imigração, foram feitas pelo patrulhamento de fronteira porque elas “entraram ilegalmente no país”.
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Rosana Maciel Gomes, de Goiânia (GO); Michely Paiva Alves, de Limeira (SP), e Cristiane da Silva, de Balneário Camboriú (SC), estão na detenção da ICE em El Paso, no Texas. Raquel Souza Lopes, de Joinville (SC), está na detenção da ICE em Raymondville, no Texas.
A situação dessas brasileiras em solo norte-americano demonstra um quadro desolador para os bolsonaristas.
Em que pese a família Bolsonaro propagar o bom relacionamento com Trump, chegando ao ponto do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) permanecer naquele país em busca de uma intervenção dos EUA no Brasil para salvar o pai da prisão, as últimas medidas do presidente norte-americano têm sido angustiantes para o grupo.
Os governadores bolsonaristas como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Claudio Castro (PL-RJ), Romeu Zema (Novo-MG), Jorginho Mello (PL-SC) e Ronaldo Caiado (União-GO), que festejaram a posse de Trump, mantém, agora, um silêncio ensurdecedor com a taxação, imposta pelo presidente daquele país, de 25% das importações de aço e alumínio brasileiros.
Isso porque os estados administrados por esses governadores exportaram, em 2024, nada menos que R$ 16,9 bilhões desses produtos aos EUA.

Ato flopado
Mesmo assim, no ato flopado deste domingo (16), em Copacabana (RJ), os bolsonaristas fizeram vários acenos favoráveis ao presidente dos Estados Unidos.
No palanque onde Bolsonaro discursava, eles hastearam junto à bandeira do Brasil uma dos EUA e outra de Israel. No trio elétrico, havia um cartaz com Trump dizendo “fight, fight, fight” (lute, lute, lute).
Toda essa bajulação tem um porquê, qual seja, Bolsonaro ainda alimenta a esperança que Trump pressione o país a seu favor.
No próximo dia 25, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidirá se o tornará réu na ação pela qual é acusado de tentativa de golpe de Estado. Se aceita a acusação, o ex-presidente estará fadado a não superar seus problemas judiciais tal qual Trump.