O Tesouro Nacional travou, nesta terça-feira (2), o socorro bilionário aos Correios ao rejeitar a taxa de juros negociada pela estatal com um consórcio de cinco bancos. O órgão considerou “excessivo” o custo do empréstimo de R$ 20 bilhões — 136% do CDI, cerca de 20,4% ao ano — e avisou à direção da empresa pública que só concederá a garantia da União se o valor for reduzido para, no máximo, 120% do CDI (aproximadamente 18% ao ano).
A decisão desmonta, por ora, a principal operação financeira planejada pela atual gestão para evitar o colapso de caixa da estatal, que já acumula R$ 6,5 bilhões em prejuízo apenas entre janeiro e setembro, quase o triplo do registrado no mesmo período de 2024.
Tesouro vê juros “incompatíveis” com risco
Técnicos da equipe econômica afirmam que a taxa oferecida pelos bancos (Banco do Brasil, BTG Pactual, Citibank, ABC Brasil e Safra) não condiz com o risco real da operação. Isso porque, com o aval do Tesouro, a chance de calote é considerada nula: se os Correios falharem, o governo assume as parcelas integralmente.
As normas internas do Tesouro determinam o teto de 120% do CDI para aval em operações com prazo de até 120 meses. Quando comunicado da negativa, o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, suspendeu a contratação e retomou as negociações com os credores.
Travamento jurídico e risco de responsabilização
Além da redução da taxa, o Tesouro exige a publicação de um decreto presidencial assinado por Lula (PT) para formalizar o aval. A medida busca blindar técnicos do órgão diante de possíveis questionamentos de órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU).
Correios à beira do colapso
A contratação do crédito é o eixo central do plano de reestruturação dos Correios, aprovado pelo Conselho de Administração no último sábado (29). Sem ele, o caixa segue em erosão acelerada, pressionado por concorrentes privados, pela queda estrutural no envio de cartas e telegramas e pelos déficits bilionários do fundo de pensão Postalis.
O plano emergencial prevê ainda:
- Programa de Demissão Voluntária (PDV);
- Mudanças no plano de saúde dos empregados;
- Venda de imóveis, com potencial de arrecadar R$ 1,5 bilhão;
- Fechamento de até mil agências deficitárias;
- Expansão do portfólio para atender ao e-commerce.
A estatal estima reduzir perdas em 2026 e voltar ao lucro em 2027. Enquanto aguarda a nova rodada de negociações com os bancos, a Fazenda mantém em suspenso a operação, considerada vital para garantir liquidez imediata à empresa pública.
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