Marcha até a Praça de Maio, em Buenos Aires, em 24 de março de 2025, 49 anos após o golpe militar de 1976 – Foto: AFP

Em um ano e cinco meses de governo de Javier Milei, os argentinos foram mais às ruas do que os brasileiros desde o golpe contra Dilma Rousseff em 2016. E o golpe, mesmo que estejamos distraídos, completará 10 anos daqui a pouco, no ano de mais uma eleição para presidente.

Por que o Brasil lida com tanto desleixo com as suas memórias? Pois os argentinos lidam muito bem e saíram em caminhada nessa segunda-feira, como fazem todos os anos no 24 de março, dia do começo da ditadura em 1976. A data é feriado nacional na Argentina desde 2002.

Até os dois maiores jornais de direita, El Clarín e La Nación, que na véspera não haviam dado nada em suas capas online, tiveram que estampar fotos da caminhada até a Praça de Maio. A maior dos últimos anos. Não há nada parecido no Brasil.

Brasileiros que não simpatizam e até odeiam argentinos dizem que eles terão de se dedicar à reparação do que fizeram elegendo Milei. Mas é uma crueldade com os que vão às ruas e na sua grande maioria não votaram no neofascista e vigarista da criptomoeda que enganou muita gente.

Os argentinos tentam corrigir o erro da eleição de Milei de um jeito que os brasileiros nunca fizeram, nem tentaram fazer, com mobilização popular. Por isso vão às ruas desde a posse de Milei e prometem ir mais ainda a partir de agora.

O presidente da Argentina, Javier Milei – Foto: Reprodução

Os brasileiros que praticam o esporte de desqualificar os argentinos devem lembrar que, enquanto lá eles não saem das ruas, aqui não houve gente nas ruas para defender Dilma quando do golpe de 2016.

Teve gente nas ruas apenas em Curitiba, na vigília ao lado do cárcere de Lula. Mas quase nada no resto do país que pudesse ter relevância política como manifestação de apoio a Lula e de denúncia da perseguição avalizada pelo TRF4.

Os brasileiros que criticam os argentinos nada fizeram em resposta ao 8 de janeiro, quando 5 mil manés misturados a terroristas invadiram Brasília. Ninguém saiu às ruas no dia 9, no dia 10, no 11 e em todos os dias que se seguiram à tentativa de golpe para defender a democracia.

Então, vamos olhar, sim, com inveja para os argentinos, que enfrentam um governo destruidor do país e cruel com idosos, mulheres, crianças, professores, estudantes e servidores públicos.

Os argentinos vão às ruas para tentar derrubar o governo envolvido com as máfias das criptomoedas. Eles assumem a tarefa de inviabilizar um poder com lideranças e estruturas fascistas e estelionatárias.

O povo nas ruas poderá salvar a Argentina, que não tem, como nós tivemos, um Lula para livrá-lo, pelo voto, da quadrilha que quebra o país.

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Last Update: 25/03/2025