
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), confirmou que participará do ato pró-Bolsonaro na avenida Paulista no Dia da Independência, em 7 de setembro. A manifestação ocorre em meio ao julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) da trama golpista de 2022, processo em que o ex-presidente Jair Bolsonaro é acusado de liderar uma tentativa de golpe de Estado.
Tarcísio, apontado por aliados como principal herdeiro político do ex-presidente, disse à Folha que estará presente no evento. Apesar de negar publicamente a intenção de disputar a Presidência em 2026 e reafirmar a busca pela reeleição em São Paulo, o governador enfrenta críticas da família Bolsonaro, que deseja manter o espólio eleitoral concentrado nos filhos do ex-presidente.
As manifestações de 7 de setembro terão tom de apoio a Bolsonaro, com pedidos de anistia e críticas ao STF. O ex-capitão vive o momento mais delicado de sua trajetória política: cumpre prisão domiciliar, tem visitas restritas e pode ser condenado a penas que somadas ultrapassam 40 anos de prisão.
Outro governador de direita que confirmou presença é Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais. Ambos foram criticados por não comparecerem ao último ato na Paulista, realizado em 3 de agosto, quando Bolsonaro já utilizava tornozeleira eletrônica.
Na ocasião, uma fala por vídeo do ex-presidente em Copacabana motivou o ministro Alexandre de Moraes a determinar sua prisão domiciliar por descumprimento de medida cautelar. Tarcísio justificou a ausência alegando que havia realizado um procedimento médico no mesmo dia, recebendo alta apenas à noite.

O ato na avenida Paulista será organizado pelo pastor Silas Malafaia, indiciado pela Polícia Federal. Ele declarou que a manifestação será maior que a anterior e que manterá o tom crítico ao Supremo.
“Sem refrescar nada. Não estou impedido disso, não, apesar da covardia, de toda injustiça. Opinião não é crime, criticar ministros do STF não é crime. Vou abrir a boca lá e não vai ser brincadeira não”, disse. Malafaia já admitiu a possibilidade de prisão em razão de seu indiciamento. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também confirmou presença no ato, após ter participado de forma remota em agosto, quando discursou em Belém dizendo que seu marido era censurado.
O julgamento de Bolsonaro e de outros réus do núcleo central da trama golpista terá início na próxima terça-feira (2) e está previsto para se estender até 12 de setembro na Primeira Turma do STF.
A defesa do ex-presidente ainda não confirmou se ele comparecerá presencialmente. Bolsonaro demonstrou interesse, mas sua condição de saúde pode impedir a ida à corte. Ele tem enfrentado crises de soluço acompanhadas de vômitos, além de exames recentes que apontaram problemas digestivos.