
João Henrique Martins, chefe do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), órgão fortalecido pelo secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PL), tem histórico como ex-policial militar e cientista político. Amigo de Derrite, Martins já trabalhou como consultor em um documentário da produtora conservadora Brasil Paralelo e hoje gerencia contratos milionários na segurança pública do estado.
Dois contratos assinados por ele envolvem obras na unidade da Polícia Militar (PM) de Sorocaba, reduto eleitoral de Derrite. A empresa contratada, no entanto, não opera no endereço cadastrado e recebeu atestado de capacidade técnica da firma do irmão de sua única sócia, que também aparece como engenheiro responsável pela licitante.
Especialistas apontam que esses fatores levantam suspeitas sobre as licitações, que somam R$ 6,7 milhões. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) garantiu que os processos foram “conduzidos rigorosamente de acordo com a legislação”.
Quem é João Henrique Martins?
Martins atuou por 15 anos como policial militar antes de se tornar professor e coordenador do Observatório de Mercados Ilícitos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Em 2023, assumiu o comando do CICC por indicação de Derrite, seu amigo pessoal.
Ele também trabalhou como consultor no filme Entre Lobos, produzido pela Brasil Paralelo, que abordava a criminalidade no Brasil. “A segurança pública do Brasil está em frangalhos. O prejuízo é imenso, contabilizado em milhões de dólares e milhares de vidas perdidas para sempre”, afirma a sinopse do documentário da produtora conservadora.

Criado em 2014 para os jogos da Copa do Mundo em São Paulo, o CICC tem a função de supervisionar e coordenar operações integradas entre órgãos de segurança pública, proteção e defesa civil. Em 2019, sob o governo João Doria (PSDB), a unidade gestora do órgão foi inativada e transferida para o gabinete do secretário, com a justificativa de melhorar a eficiência operacional.
Gastos milionários
Em 2023, a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) reativou a unidade gestora do CICC, permitindo que voltasse a executar despesas. Os gastos no primeiro ano foram de R$ 5,7 milhões. No ano seguinte, o orçamento do órgão saltou para R$ 56 milhões, com quase R$ 14 milhões já empenhados. Para efeito de comparação, esse valor supera os R$ 9 milhões reservados para toda a Secretaria de Políticas para as Mulheres em 2024.
Somente nos dois primeiros meses deste ano, os valores empenhados pelo CICC já ultrapassam R$ 4 milhões, evidenciando o poder concentrado no órgão sob a liderança de João Henrique Martins.
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