A prisão do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), nesta quarta-feira (3), pela Operação Unha e Carne, reforçou suspeitas que já haviam sido antecipadas ao GGN. Em entrevista exclusiva concedida em novembro, o ex-governador Anthony Garotinho afirmou que o caso envolvendo o deputado TH Joias revelava um esquema mais amplo de corrupção e tráfico de influência com pagamento de propina em ouro, e citou diretamente o presidente da Alerj.
Segundo a Polícia Federal, Bacellar é investigado por vazar informações sigilosas da Operação Zargun, deflagrada em setembro, alertando o deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, sobre mandados que seriam cumpridos contra ele e orientando-o a destruir provas.
O ministro Alexandre de Moraes, ao determinar sua prisão e afastamento, destacou que os elementos apontam para “obstrução de investigações envolvendo facção criminosa” e “risco de continuidade delitiva”.
Segundo o G1, o presidente da Alerj foi preso dentro da Superintendência da PF, na Praça Mauá, onde havia sido chamado para uma suposta reunião pelo próprio superintendente, Fábio Galvão. Assim que chegou, recebeu voz de prisão e seu celular foi apreendido.
O que Garotinho havia dito ao GGN
Ao GGN, Garotinho explicou que vinha denunciando publicamente a presença de um “cidadão, deputado de mandato, que era traficante”, referindo-se a TH Joias. Ele relatou como o ourives e deputado passou a circular com autoridades estaduais.
“Ele começou a aparecer em fotos ao lado do governador [Claudio Castro] e ao lado do senhor presidente da Assembleia [Rodrigo Bacellar] e chegou ao ponto de aparecer ao lado do comandante da Polícia Militar. Aí eu publiquei as fotos. Chama-se TH Joias”.
Segundo Garotinho, “Depois de 15 dias postando foto, mostrando vídeos dele se reunindo com os traficantes do Complexo do Alemão, por exemplo, resolveram prender o cara. Não teve jeito, né? A desmoralização já estava num nível incontrolável”.
Ele destacou que TH Joias tinha trânsito incomum entre autoridades e criminosos. “Por incrível que pareça, ele comparecia à formatura dos policiais. Ele que vendia drone pros traficantes, ele que vendia arma pro traficante, ele que vendia joias”.
A partir daí, Garotinho passou a questionar a ligação dessas joias com o governo, sobretudo com a Alerj, e narrou ao GGN a descoberta que o levou à pista do pagamento em ouro.
Ele contou que fotografou o presidente da Alerj descendo de um helicóptero cujo prefixo — marcado pelas iniciais ‘MM’ — chamou sua atenção. Ao investigar a aeronave, descobriu que o proprietário seria um empresário do ramo do ouro.
“O dono dessa aeronave é um cara muito poderoso… ‘É o rei do ouro’. Mas quem é o rei do ouro? ‘É o Márcio Macedo, da Gana Gold’.”
Garotinho afirmou que o dono da mineradora expandiu negócios para o Rio e passou a vencer licitações da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro).
“Aí eu fui descobrir que ele começou a ganhar um monte de licitações na Cedae. Vem cá, o que esse cara tá fazendo aqui no Rio com tanto dinheiro? E por que resolveu emprestar um helicóptero do nada?”.
Foi conversando com suas fontes, explicou ao GGN, que chegou à informação sobre o pagamento da propina e o envolvimento de Bacellar no caso TH Joias.
“Eu fui descobrir, conversa com um, conversa com outro, que a empresa tinha ganho contratos milionários aqui no estado e que a propina era paga em ouro. E como não sabiam o que fazer com o ouro, deram pro joalheiro chamado TH Joias, que fazia joias para os traficantes e grandes artistas, com a propina que era dada ao governador e ao presidente da Assembleia. Se eu sei disso, como a polícia não sabe? O que antecede a operação é gravíssimo”.