
Durante o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), contra o ex-presidente Jair Bolsonaro réu por tentativa de golpe de Estado, a primeira fila de espectadores no plenário terá convidados especiais para rechear a sessão de simbolismo.
Ivo Herzog, filho do jornalista Vladimir Herzog, e Hildegard Angel, filha da estilista Zuzu Angel, duas vítimas da ditadura militar, estarão entre os 15 selecionados para acompanhar de perto o julgamento, segundo a Folha de S.Paulo.
A presença dos familiares no processo ocorre em um ano que é igualmente simbólico: 2024 marca os 50 anos do assassinato de Vladimir Herzog pela ditadura militar.
“Decidi ir ao julgamento porque é um momento histórico. Pela primeira vez no Brasil agentes do Estado serão processados por atentarem contra a democracia”, afirmou Ivo Herzog, que viajou a Brasília acompanhado de seu filho Lucas, neto de Vlado.

Hildegard Angel destacou sua motivação para comparecer: “Tenho uma obrigação histórica, humana e pessoal de estar no julgamento. Pelos mortos, desaparecidos e os que têm vida a viver. Não é possível que o Brasil repita uma anistia equivocada e perversa”, disse, em referência à Lei da Anistia de 1979.
Além dos familiares, a plateia do STF contará com figuras como:
– O ex-ministro dos Direitos Humanos Paulo Vannuchi, cujo primo foi assassinado na ditadura;
– O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante;
– A deputada Sâmia Bomfim (PSOL);
– Advogados como Belisário dos Santos Jr.
Vannuchi ressaltou o simbolismo da ocasião: “Na votação do impeachment de Dilma [Rousseff, em 2015], Bolsonaro homenageou sonoramente o maior chefe da tortura, Brilhante Ustra. A presença de familiares de presos, mortos e desaparecidos será de um simbolismo extraordinário”.
Para Belisário dos Santos Jr., que comparecerá mesmo sem representar clientes, “este é um julgamento que definirá os rumos da democracia brasileira”.
A Primeira Turma do STF, composta pelos ministros Alexandre de Moraes (relator), Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux, analisará a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) que acusa Bolsonaro e sete aliados de crimes como:
– Tentativa de golpe de Estado;
– Organização criminosa;
– Abolição violenta do Estado Democrático.
Se aceita a denúncia, o ex-presidente se tornará réu formalmente, com o mérito do caso sendo julgado posteriormente pela mesma turma.
Conheça as redes sociais do DCM:
⚪️Facebook: https://www.facebook.com/diariodocentrodomundo
🟣Threads: https://www.threads.net/@dcm_on_line