Aos 75 anos de idade e 40 de vida parlamentar, o senador Paulo Paim (PT-RS) anunciou oficialmente que este será seu último mandato. Homem negro de origem simples e ex-metalúrgico num dos polos industriais mais importantes do Brasil, Caxias do Sul, Paim se notabilizou tanto no meio sindical como político pela defesa intransigente da igualdade, da luta antirracista e da classe trabalhadora, dos idosos e pessoas com deficiência.
Em discurso no Senado nesta segunda-feira (1º), no qual confirmou sua decisão, Paim lembrou de algumas das muitas lutas que travou, como a defesa da Previdência e da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), o enfrentamento aos efeitos nocivos da “pejotização” e da precarização das relações de trabalho, além do fim da escala 6×1. “Agradeço a todos que têm essa visão de que o direito dos trabalhadores e das trabalhadoras tem que ser respeitado”, disse.
Paim iniciou sua militância ainda estudantes e se tornou importante liderança operária gaúcha, sendo eleito em 1981 para a presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas. Ocupou pela primeira vez uma cadeira na Câmara em 1987 como deputado constituinte. Após quatro mandatos consecutivos, foi eleito senador em 2002 e desde então vem sendo reeleito pelo povo gaúcho.
Dentre as muitas conquistas que acumulou nesses anos de dedicação ao trabalho parlamentar estão o Estatuto da Igualdade Racial e a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. Também é de sua autoria projeto de lei aprovado pelo Senado que renova e amplia a política de cotas no serviço público, estendendo-as também para povos indígenas e comunidades quilombolas.
Novo capítulo
No domingo (6), encontro do PT do Rio Grande do Sul confirmou a indicação do deputado Paulo Pimenta para a disputa ao Senado em 2026 no lugar de Paim, assim como a do atual presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e ex-deputado Edegar Pretto para o governo.
Pimenta esteve à frente da Secretaria Extraordinária de Recuperação do Rio Grande do Sul, criada pelo presidente Lula para agilizar o atendimento ao estado após a destruição causada pelas enchentes de 2024, além de ter sido ministro da Secretaria de Comunicação Social do Palácio do Planalto.
Pelas redes sociais, Pimenta destacou: “É com muita honra que recebo do PT gaúcho a confirmação da minha pré-candidatura ao Senado em 2026. E é com enorme responsabilidade que recebo a confiança do senador Paulo Paim, um companheiro de excelência, um dos mais importantes senadores da República e dos mais importantes militantes do PT, para seguir adiante o seu legado”.
Edegar Pretto também falou sobre a trajetória do senador: “São poucos os partidos que podem contar com quadros da estatura do senador Paulo Paim, que deixou seu nome marcado na história do Brasil como o construtor de grandes estatutos — como o da Igualdade Racial e o do Idoso — e como uma das vozes mais firmes na defesa dos direitos dos trabalhadores, dos aposentados e da valorização do salário mínimo”.
Mesmo se afastando da vida parlamentar, Paim deixou claro, em seu discurso, que não pretende abandonar as boas batalhas em defesa do povo brasileiro: “Vamos continuar, lado a lado com a nossa gente, ao lado das suas dores e do seu direito sagrado de continuar sonhando. Podem dizer que somos sonhadores, mas ninguém pode nos proibir de continuar a lutar e a sonhar para melhorar a qualidade de vida de toda nossa gente”.