
São muitos os textos e falas que estabelecem algum tipo de conexão entre as atitudes de Nikolas Ferreira e os interesses do crime organizado.
Mas não há como afirmar que o deputado da peruca tenha ligações com o PCC. Nada disso. Não se sabe de nenhuma prova que o incrimine. Até porque Nikolas sempre escapa de tentativas de incriminação.
O que dá para dizer é que tudo o que ele fez, em janeiro, quando sabotou a tentativa da Receita de exigir informações básicas das movimentações financeiras das fintechs, favoreceu o crime organizado.
My video exposing Lula’s government has reached more than 145 million views on Instagram, one of the most watched political videos in history. It's now on @elonmusk 's 𝕏. Brazil is not theirs, it’s ours. pic.twitter.com/rZJA3TozMV
— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) January 15, 2025
Não é só a Receita que faz essa relação, ao se manifestar agora sobre os ataques à norma soterrada pela gritaria e pelas fake news do bolsonarismo, em vídeos divulgados principalmente por Nikolas.
Também não são apenas os jornalistas de esquerda que exploram essa conexão. Vinicius Torres Freire escreveu ontem na Folha:
“A propaganda mentirosa das direitas, da bolsonarista em particular, acabou por derrubar a norma. Dizia, em suma, que o governo Lula queria espionar o Pix, armação destinada a facilitar uma fantasiosa cobrança de impostos sobre essas transações. Era um ataque destrutivo à possibilidade de debate e deliberação democrática”.
Freire diz mais:
“A propaganda da direita facilitou a vida do PCC. (…) Considerem-se as consequências das ações dessa gente lunática, perturbada, ignorante, violenta e dada à política de terra arrasada. Foram criminosamente nocivas na epidemia de Covid, na vacinação, no 8 de janeiro e na repressão do PCC e de seus associados”.
Gente lunática e conectada, talvez por ignorância, às demandas da bandidagem acumpliciada com o mercado financeiro. Mas o que pode acontecer com Nikolas, mesmo que parlamentares do PT estejam encaminhando pedidos de investigação do colega?
É mais provável que não aconteça nada. Como não aconteceu, como reparação significativa, depois dos ataques transfóbicos do sujeito em teatro na tribuna da Câmara. É provável até que a defesa de Nikolas, se ele tentar uma invertida, seja mais incisiva do que a denúncia de que facilitou a vida do PCC.
Nikolas se protege — e vem sendo vitorioso — na conversa da liberdade de expressão absoluta. Mas um dia o “cara do Pix” poderá se dar mal, como aconteceu com Carla Zambelli e outros com a mesma agressividade? Não apostem.
Lembrando ainda que não só a nova extrema-direita, mas a direita antiga e “cheirosa”, tucana e liberal, também ajudou o PCC ao embarcar na conversa de Nikolas no início do ano.
Um representante de peso dessa gente, colega de Freire no colunismo da Folha, o economista e filósofo Joel Pinheiro da Fonseca espalhou terror em artigo de 13 de janeiro.
O sujeito escreveu que o brasileiro via algum sentido nas “notícias” sobre o Pix, porque a Receita não queria apenas vigiar a circulação da dinheirama sem controle, mas preparar “uma investida contra trabalhadores informais” e “arrancar mais moedinhas do cidadão comum”.
Nikolas Ferreira e Joel Pinheiro da Fonseca merecem agradecimentos públicos do PCC, que movimenta bilhões em “moedinhas” em parceria com a Faria Lima. Fonseca conhece essa gente, é do meio do dinheiro e do rentismo, e defende seu ponto de vista de arcabouços e outras coisas fiscais.
É um tucano extraviado e sem plano de voo, e fala com os bacanas da Faria Lima — que Nikolas nem sabe onde fica, por ser de outra turma menos rendada. Mas Fonseca, esse fofo neoliberal, pode ficar na boa porque ninguém vai querer investigá-lo.