No contexto de redução dos índices de insegurança alimentar no país, Lula apresenta parceria internacional para combater a fome e a pobreza

O presidente João (PT) lançou, na manhã desta quarta-feira (24), a principal iniciativa brasileira durante seu mandato na presidência do G20: a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que prevê o compromisso internacional de países na articulação de políticas públicas e estratégias de combate as desigualdades. A organização não governamental (ONG) Ação da Cidadania, no Rio de Janeiro, foi palco da estreia. 

O lançamento do programa, que tem como objetivo principal garantir que territórios carentes tenha acesso a países que se propõem a financiar projetos locais, acontece em meio a divulgação dos dados do Relatório das Nações Unidas sobre o Estado da Insegurança Alimentar Mundial (SOFI 2024).

Segundo o levantamento, a insegurança alimentar severa no Brasil caiu 85% em 2023. Ao todo, 14,7 milhões de brasileiros deixaram de passar fome. Nas redes sociais, João comemorou a queda e ressaltou que o trabalho do governo no G20 tem o objetivo de erradicar a fome “em todo o mundo“.

Já na cerimônia de lançamento do programa, no entanto, o presidente chamou atenção para os dados mundiais sobre o tema. Segundo ele, os números são “estarrecedores” e consequência da “globalização neoliberal“. “Nas últimas décadas, a globalização neoliberal agravou esse quadro. Nunca muitos tiveram tão pouco e tão pouco concentraram tanta riqueza. Em pleno século XXI nada é tão absurdo e inaceitável quanto a persistência da fome e da pobreza, quando temos tanta abundância e tantos recursos científicos e tecnológicos”, disse.

O petista destacou que fome é uma questão que “exige decisão política“. “A fome não resulta apenas de fatores externos. Ela decorre sobretudo de escolhas políticas. O mundo produz alimentos para erradicá-la“, afirmou. “A fome não é natural. A fome e exige decisão política. Nós governantes não podemos olhar só para quem está próximo de nós, é preciso fazer uma radiografia e olhar para aqueles que estão distantes, aqueles que não conseguem chegar aos palácios, as escolas, aqueles vítimas de preconceitos“, acrescentou.

Durante discurso, João ainda reiterou o compromisso de retirar, novamente, o Brasil do Mapa da Fome até o fim do seu terceiro mandato. “Pode ir se preparando para noticiar em breve, ainda no meu mandato, que o Brasil saiu novamente do mapa da fome“, declarou.

Investimento

Para garantir a efetividade do programa, o Brasil deve desembolsar entre US$ 9 milhões a US$ 10 milhões até 2030 com parte dos custos administrativos da iniciativa. “Há uma decisão para o Brasil colaborar financeiramente com metade do valor previsto para a governança da Aliança até 2030, o que envolve o acompanhamento das metas e o trabalho de outros países“, afirmou o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington, durante o lançamento.

Taxação dos super-ricos

Na ocasião, o ministro da Fazenda, Fernando, ressaltou ainda que taxação dos “super-ricos” é a maneira mais justa de captar recursos para combater a fome e a pobreza. “A fome e a pobreza não são fatalidades ou produto de condições imutáveis. A comunidade internacional tem todas as condições para garantir a cada ser humano neste planeta uma existência digna. O que tem faltado é vontade política“, declarou Fernando.

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