
O deputado Rogério Correia (PT-MG) afirmou que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), ao divulgar um vídeo falso sobre o Pix, prejudicou a economia popular, facilitou a lavagem de dinheiro e possivelmente atua como “lobista das fintechs”.
“Esse Nikolas Ferreira provavelmente é um lobista das fintechs. Possivelmente. Não vou dizer que é, mas olha… ele fez um vídeo com informações completamente falsas, e com isso o povo ficou com medo de taxar o Pix”, declarou Correia, em entrevista à TV GGN nesta sexta-feira [confira abaixo].
Para apurar o caso, Correia entrou com representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando que o STF abra inquérito criminal contra Nikolas, por divulgação de fake news e possível favorecimento indireto a organizações criminosas.
Segundo o parlamentar, o vídeo publicado em janeiro por Nikolas criou uma narrativa alarmista sobre fiscalização e suposta taxação do Pix, atingindo trabalhadores informais, microempreendedores e prestadores de serviço.
Alcance massivo do vídeo
Na época, o vídeo no Instagram alcançou a marca de 200 milhões de visualizações e o tema chegou a bater recorde de buscas no Google com a palavra “Pix”. As publicações dos deputados do PL relacionadas ao caso totalizaram mais de 4,5 milhões de interações.
Na prática, não houve e nem haveria taxação do Pix. O que mudaria é que as instituições financeiras passariam a informar à Receita Federal movimentações acima de determinados valores: transações superiores a R$ 5 mil mensais para pessoas físicas e a R$ 15 mil para empresas deveriam ser reportadas, em comparação aos limites anteriores de R$ 2 mil e R$ 6 mil, respectivamente.
Operação na Faria Lima, fintechs e o crime organizado
Correia citou ainda a Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28) pela Polícia Federal, que investiga esquemas do crime organizado e lavagem de dinheiro envolvendo fintechs.
A investigação revelou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) mantém uma estrutura bilionária de lavagem de dinheiro, com ramificações em endereços estratégicos da capital paulista, sobretudo na região da Faria Lima, onde se concentram algumas das principais empresas do mercado financeiro.
O deputado explicou à TV GGN que o vídeo de Nikolas teve papel central nesse contexto. “Na época, o governo queria fiscalizar as fintechs para coibir lavagem de dinheiro. Mas o vídeo do Nikolas assustou o povo e o governo recuou. Sem essa fiscalização, o crime foi facilitado e houve obstrução de investigações”.
Ele ressaltou que as fintechs operam com menos fiscalização que os bancos, o que torna o efeito do vídeo ainda mais prejudicial. “Essas fintechs não são investigadas e não têm as mesmas obrigações que os bancos. Como não têm controle algum, metem a mão mesmo”.
“Quanto mais esse vídeo circula, mais ele ganha. Esse menino é esperto para ganhar dinheiro. Está ficando milionário com fake news. Ele faz um vídeo, esse vídeo ganha milhões e milhões, e é impossível saber como conseguiram [esse alcance]. É preciso quebrar o sigilo, inclusive telemático, para entender quem conseguiu fazer esse vídeo chegar tão longe. Tinha interesse por trás, as fintechs ganharam com isso evidentemente porque recuou a fiscalização, e o crime organizado ganhou”.
Assista ao programa completo aqui:
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