O presidente Lula (PT) afirmou que não pretende assistir ao julgamento do antecessor, Jair Bolsonaro (PL), pela trama golpista, marcado para iniciar no dia 2 de setembro, próxima terça-feira, na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal.

“Não vou assistir ao julgamento, tenho coisa melhor para fazer”, disse Lula ao ser questionado sobre o tema pela Rádio Itatiaia, de Minas Gerais, nesta sexta-feira 29.

Ele não se furtou a comentar, porém, o que pensa sobre o caso. “Acho que ele vai ser julgado com base nos autos. Não é a figura do Bolsonaro que está sendo julgada, o que está sendo julgado é o comportamento desse cidadão, que foi presidente da República, em função das denúncias e das delações feitas e das provas apuradas pela Polícia Federal”, destacou. “Se ele cometeu crime, vai ser punido; se não cometeu, vai ser absolvido. E a vida continua”.

Bolsonaro é um dos oito réus do chamado núcleo crucial da trama golpista. Ele foi apontado, na denúncia levada ao Supremo, como o chefe de uma organização criminosa que tentava impedir a posse Lula e que tinha o objetivo manter Bolsonaro no poder mesmo após a derrota nas urnas. Cinco crimes integram a acusação.

Caberá aos cinco ministros que formam a Primeira Turma do STF a avaliação sobre o caso. Alexandre de Moraes, relator, será o primeiro a votar. Caso o ministro opte pela pena máxima prevista para os crimes supostamente cometidos pelo ex-capitão, a pena chegará a 40 anos de prisão. Ele poderá ou não ser seguido pelos seus pares, independentemente de qual for a sua posição.

A defesa de Bolsonaro, convém ressaltar, tem negado a participação do ex-capitão no episódio. Em outra frente de atuação, aliados insistem em tentar pautar um projeto no Congresso que prevê anistia ampla, geral e irrestrita aos golpistas. Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, seria o principal beneficiado. Lula, aliás, ironizou a empreitada na conversa com a rádio.

“É uma coisa tão impertinente. O homem não foi nem julgado e já está querendo anistia”, disse. “Está dizendo que é culpado e quer ser perdoado?”, questionou, em seguida.

Para o petista, o ex-presidente está tendo uma oportunidade que não teria sido dada a ele quando foi preso no âmbito da Operação Lava Jato. “Ele está tendo direito à presunção de inocência que não tive. [Agora] Prove que não tinha caminhão com bomba no aeroporto em Brasília, que não tinha plano arquitetado para matar o Lula, o Alckmin, Alexandre de Moraes, prove que não foi ele que organizou a ocupação na frente dos quartéis brasileiros”, finalizou.

Cassação de Eduardo

Ainda na entrevista, o presidente também afirmou considerar ‘necessária’ a cassação do mandato do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). O político está nos EUA desde março, onde articula sanções contra autoridades brasileiras. Nesta quinta, o parlamentar solicitou à Câmara autorização para exercer o mandato à distância, mencionando ser um ‘perseguido político’ no Brasil.

Para Lula, a atuação do bolsonarista em solo norte-americano é uma traição à pátria. “Eduardo Bolsonaro não pode exercer mandato dele. Eu já falei com Hugo Motta e vários deputados que é necessário cassar o Eduardo”, disse. “Ele vai passar para a história como o maior traidor da pátria do Brasil e um dos maiores do mundo”, sustentou o petista.

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Last Update: 29/08/2025