Moraes nega o direito de ampla defesa a acusados do 8 de janeiro

Nesta terça-feira (9 de dezembro de 2025), a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) deu início ao julgamento dos acusados de compor o núcleo 2 da suposta tentativa de golpe de Estado após a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. O ministro Alexandre de Moraes, relator do processo e presidente da turma, abriu a sessão rejeitando um pedido da defesa de Mário Fernandes — general da reserva e ex-membro da Secretária-Geral da Presidência no governo Bolsonaro, para incluir o ministro Luiz Fux na composição do colegiado, classificando a solicitação como “absurda” e “protelatória”.

A defesa de Fernandes protocolou na segunda-feira (8 de dezembro) uma questão de ordem, argumentando que a ausência de Fux, único ministro a votar pela absolvição de Bolsonaro e outros réus no núcleo 1 do mesmo caso, prejudicaria a ampla defesa.

O mesmo pedido para que Fux participasse do julgamento desta terça já havia sido feito pela defesa do ex-assessor internacional de Jair Bolsonaro, Filipe Martins, e também negado pelo Juiz.

Moraes contrapôs que não existe “mínima pertinência” no pedido, pois o Regimento Interno do STF veda a participação simultânea de um ministro em ambas as turmas, e três integrantes são suficientes para deliberar. Ele enfatizou: “Isso é tão óbvio que causa espanto ter sido pleiteado”, destacando que Fux deixou a 1ª Turma em 22 de outubro, após transferência autorizada pelo presidente Edson Fachin devido à aposentadoria de Luís Roberto Barroso.

O núcleo 2 é formado por sete réus em posições estratégicas no governo Bolsonaro, denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por suposto abuso de cargos públicos para obstruir o processo eleitoral e manter o ex-presidente no poder. Entre eles estão:

Fernando de Sousa Oliveira, delegado da Polícia Federal;
Filipe Garcia Martins Pereira, ex-assessor internacional da Presidência;
Marcelo Costa Câmara, coronel da reserva do Exército;
Marília Ferreira de Alencar, delegada e ex-diretora de Inteligência da PF;
Mário Fernandes, General da Reserva;
e Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal. 

A PGR acusa o grupo de coordenar ações como a redação da “minuta do golpe” – um decreto de estado de sítio ou defesa que exigiria aval do Congresso – além de planejamento de atos violentos para interferir no resultado das urnas.

Segundo o Procurador Geral, Paulo Gonet, os acusados foram responsáveis por gerenciar as principais iniciativas da suposta organização criminosa e destacou: 

“É evidente a contribuição decisiva que proporcionaram para a caracterização dos crimes denunciados, valendo-se de suas posições profissionais relevantes e conhecimentos estratégicos”.

Conforme a denúncia, os réus promoveram “aberta violência” por meio de iniciativas coordenadas que visavam desestabilizar a transição de poder, utilizando estruturas estatais para executar o suposto plano golpista. Filipe Martins, em particular, é apontado como figura central na trama, com a PGR destacando seu papel na articulação política para sustentar Bolsonaro no Planalto. O julgamento, prossegue com sustentação oral das defesas e análise de provas, podendo resultar em condenações por crimes como tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Artigo Anterior

CBF elege seleção do Brasileirão 2025

Próximo Artigo

Com uma esquerda chave de cadeia, para que direita?

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!