Mercado financeiro muda percepção e passa avaliar negativamente o trabalho de Haddad, diz Quaest

A avaliação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, perante o mercado financeiro sofreu uma mudança brusca. Depois de meses em “lua de mel”, a maior parte dos executivos veem, agora, o trabalho como “negativo”. É o que mostra pesquisa divulgada nesta quarta-feira 19 pelo instituto Quaest, em parceria com a Genial Investimentos.

Segundo o levantamento, Haddad tem agora 58% de avaliações negativas entre os executivos do mercado. É, de longe, o pior índice já registrado pelo ministro (em março de 2023, com três meses de governo, esse índice era de 38%). Na pesquisa mais recente feita pelo mesmo instituto, ele tinha 24% de avaliações negativas.

As avaliações positivas do mercado em relação a Haddad caíram para 10% – o mesmo índice do início do governo. A situação é bem diferente da registrada na maioria das pesquisas. Em julho de 2023, por exemplo, eram 65% de avaliações positivas. Em dezembro de 2024, ainda havia 41% de aprovação.

Para o mercado financeiro, Haddad perdeu espaço. A pesquisa mostra que 85% dos executivos dizem que a força dele está “menor”. Apenas 1% dizem que a força está “maior” – outros 14% dizem que permanece a mesma.

Para 93% dos entrevistados, a política econômica do país está indo na direção errada. E, segundo 92%, o principal responsável por essa direção é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ao mesmo tempo, o mercado financeiro diz que o governo não deve intervir na economia: essa é a opinião de 74% dos entrevistados, enquanto outros 25% dizem que o Planalto deve tentar reduzir o preço dos alimentos.

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, que mantém linha de atuação semelhante à do antecessor, Roberto Campos Neto, está melhor avaliado: para 45% dos entrevistados pela Quaest, o trabalho “é positivo”. Outros 41% avaliam como “regular”, e apenas 8% têm avaliação negativa.

Tarcísio: o escolhido

Com Jair Bolsonaro (PL) fora do tabuleiro político, o mercado financeiro já escolheu seu candidato para a presidência da República em 2026: o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Nada menos que 93% dos entrevistados dizem que ele é o candidato com maior chance de vencer “o candidato da esquerda” nas eleições. Eduardo Bolsonaro, o segundo colocado, tem meros 3%.

Além disso, Tarcísio lidera com folga entre os analistas do mercado quando perguntados sobre a confiança em diferentes líderes políticos: 68% dizem que confiam “muito” nele; outros 26%, confiam “mais ou menos”. Apenas 6% dizem confiar pouco ou nada. O segundo mais confiável, também de direita, é Romeu Zema (Novo). O governador mineiro é considerado “muito” confiável por 36% dos entrevistados, e “mais ou menos” confiável por outros 36%, enquanto 29% confiam pouco ou nada.

A Quaest ouviu 106 pessoas, entre gestores, economistas, analistas e tomadores de decisão do mercado financeiro vinculados a fundos de investimentos com sede em São Paulo e no Rio de Janeiro. As pesquisas foram feitas online, entre os dias 12 e 17 de março.

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