
O ex-presidente Jair Bolsonaro decidiu comparecer pessoalmente ao julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que pode torná-lo réu por tentativa de golpe de Estado. Chegou ao tribunal por volta das 9h25 desta terça-feira (25), em um gesto que ultrapassa o campo jurídico e entra no simbólico.
A escolha de aparecer no STF, revelada por seu advogado Paulo Cunha Bueno, não é simples manifestação de confiança na Justiça, mas uma estratégia política. E lembra, em muito, uma das cenas mais emblemáticas de “O Poderoso Chefão 2”.

No filme, Michael Corleone assiste em silêncio ao depoimento de Frank Pentangeli, que estava prestes a delatar toda a estrutura criminosa da família Corleone ao Senado americano. Mas, ao ver o irmão na plateia — trazido de surpresa diretamente da Sicília —, Pentangeli recua, desiste da delação e nega tudo. A simples presença muda o curso do julgamento. Não há ameaças, nem fala. Apenas presença. E intimidação.
Bolsonaro adota a mesma tática. Sentar-se diante dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Luiz Fux, Flávio Dino e Cármen Lúcia não tem efeito jurídico direto, já que seu depoimento não está previsto nesta fase. Mas o gesto carrega mensagem. Um ex-presidente, rodeado de apoiadores, com acesso privilegiado à imprensa e discurso de vítima ensaiado, entra na Corte para constranger.
⏯️ O ex-presidente Jair Bolsonaro sentará na primeira fileira do plenário do STF, junto com os três advogados. Ele ficará cara a cara com o Ministro Alexandre de Moraes. pic.twitter.com/w421it8qeN
— Metrópoles (@Metropoles) March 25, 2025
Segundo o advogado de Bolsonaro, ele quis “enfrentar a acusação injusta e absurda”, comparecendo pessoalmente para expressar “indignação e repúdio às imputações mentirosas”. A própria defesa tentou tirar três ministros da 1ª Turma — Zanin, Moraes e Dino — alegando suspeição. Não conseguiu. Tentou emparedar o Supremo com discursos públicos e ameaças veladas. Também fracassou.
Agora, o corpo presente de Bolsonaro serve como último recurso: ameaçar os ministros, colocar a pressão de sua figura abjeta e acionar sua base. Caso a denúncia seja aceita, ele se tornará o primeiro ex-presidente da República réu por tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e associação criminosa. Isso não é prova de coragem, mas da covardia de um gângster.
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