O presidente Lula concedeu entrevista à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais, nesta sexta-feira (29), para tratar de alguns dos temas mais relevantes para a população brasileira neste terceiro ano de mandato da gestão petista. Além de falar das medidas de proteção ao setor produtivo do tarifaço de Donald Trump e da retomada de políticas de inclusão social desde 2023, o presidente exaltou a maior ofensiva contra o crime organizado da história brasileira, revelada pelas operações Quasar, Carbono Oculto e Tank, que resultaram em mais de 400 mandados judiciais, incluindo 14 de prisão e o bloqueio de R$ 3,2 bilhões em bens e valores.
Na conversa, o presidente Lula aprofundou os detalhes sobre o que classificou como “a maior ofensiva contra o crime organizado da história brasileira”. As operações são fruto de uma integração sem precedentes das forças de segurança, em uma articulação coordenada pelo Núcleo de Combate ao Crime Organizado, estrutura criada em janeiro de 2025 pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski. “Nós trabalhamos em conjunto com o Ministério Público de São Paulo dentro da operação e tem que ser assim, para a gente fazer valer a força da polícia e da justiça. A gente vai mostrar a cara de quem faz parte do crime organizado neste país”, lembrou Lula.
O presidente voltou a defender a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública, vista como fundamental para fortalecer o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), garantir estabilidade financeira ao setor e ampliar a integração entre as polícias federal, estadual e municipal. “O crime organizado é sofisticado. Ele está na política, no futebol, na justiça. É um braço internacional poderoso, com relações no mundo inteiro. É uma multinacional. Mas vamos chegar lá, com investimento e inteligência”, reforçou.
O governo federal está agindo fortemente no combate ao crime organizado. A gente vai mostrar a cara de quem faz parte do crime organizado nesse país. pic.twitter.com/MDdshOAfiU
— Lula (@LulaOficial) August 29, 2025
“Maior política de inclusão social da história”
Ao ser questionado sobre a principal marca de sua gestão, o presidente não hesitou em afirmar que será a “maior política de inclusão social da história desse país”. Lula detalhou a retomada e o aprimoramento dos diversos programas federais que foram destruídos ou desmantelados pela gestão desastrosa de Bolsonaro. Entre eles, destacou o PROUNI e o FIES, essenciais para o acesso ao ensino superior, o fortalecimento dos Institutos Federais, o programa Luz do Povo e a distribuição gratuita de gás para as famílias mais vulneráveis.
Na área da educação, Lula falou de uma das maiores marcas dessa administração, o Pé-de-Meia, que já beneficia quase 350 mil crianças apenas em Minas Gerais, e o projeto de Escola em Tempo Integral, visando a permanência dos jovens nas salas de aula. Na saúde, apontou o impacto do programa Mais Médicos, que dobrou o número de profissionais no estado. Lula também elencou outros programas sociais cruciais que foram reativados e aprimorados, como o Bolsa Família, o Farmácia Popular e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
O presidente expressou sua ambição de recolocar o Brasil entre as seis maiores economias do mundo e celebrou a saída do país do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas. “Em dois anos e meio, tiramos 30 milhões de pessoas do Mapa da Fome. Esse país voltou a comer, a crescer, a viajar. Os voos estão todos lotados, para dentro e para fora do país”, pontuou. Além disso, Lula adiantou que o governo trabalha em um plano amplo para o setor de habitação, independente do Minha Casa, Minha Vida. E ainda expressou confiança na aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais, cujo projeto está em tramitação no Congresso.
Comércio Exterior e o tarifaço de Trump
Lula falou sobre as medidas de proteção da economia frente ao “tarifaço” imposto por Donald Trump, que afeta o setor produtivo brasileiro. O presidente confirmou que o Brasil acionou a Lei da Reciprocidade, instrumento que permite suspender concessões comerciais ou obrigações de propriedade intelectual em resposta a medidas unilaterais que prejudiquem a economia nacional. Um pedido formal já foi protocolado junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), aguardando a disposição dos Estados Unidos para negociar.
“Eu não tenho pressa de fazer qualquer coisa com a reciprocidade contra os Estados Unidos. Eu tomei a medida porque eu tenho que andar com o processo. Se o Trump quiser negociar, o Lulinha paz e amor está de volta. Eu não quero guerra com os Estados Unidos. Eu quero negociar”, reiterou Lula. O presidente fez questão de destacar a assimetria atual nas relações comerciais: “Mais de 73% dos produtos americanos que entram aqui não pagam imposto. Dos 10 mais importantes, 8 são zerados. E a média do que eles pagam é 2,7%. É quase nada. Então, se tem uma coisa que os americanos não podem reclamar, é da relação comercial com o Brasil”.
Investimentos do Novo PAC em Minas Gerais
Durante sua agenda em Minas Gerais, o presidente participou de eventos importantes ao desenvolvimento do estado. Em Contagem, acompanhou o anúncio de investimentos em mobilidade urbana para 12 estados, totalizando mais de R$ 9 bilhões por meio do Novo PAC. No mesmo evento, formalizou a entrega de um trecho reformado da Avenida Maracanã e confirmou a expansão do metrô de Belo Horizonte, com um investimento de R$ 1 bilhão.
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O projeto prevê a implantação de 3,6 quilômetros e duas novas estações — Parque São João e Beatriz — partindo da Estação Novo Eldorado, que já está em construção. “Um bilhão de reais para ligar três estações”, celebrou o presidente, destacando o impacto direto na vida da população mineira.
Da Redação