O presidente Lula esteve nesta sexta-feira (25) em Osasco, na Grande São Paulo, para anunciar R$ 4,67 bilhões em investimentos do governo federal para a urbanização de favelas, por meio do novo PAC Seleções 2025 – Periferia Viva.

Ao público, Lula celebrou as ações que atenderão 32 municípios de 12 estados. Mas grande parte do seu discurso tratou da tarifa de 50% anunciada contra o Brasil pelos Estados Unidos. De acordo com o presidente, os que se dizem patriotas e tomaram para si a bandeira nacional e a camisa da seleção brasileira, hoje vendem o país para os Estados Unidos.

“Esses mesmos cidadãos que utilizam a camisa da seleção brasileira e a bandeira nacional se dizendo patriotas, estão agora agarrados nas botas do presidente dos Estados Unidos, pedindo para ele fazer intervenção no Brasil. Uma total falta de patriotismo, junto com a sem-vergonhice e traição. Pedem para taxar o que vendemos para libertar o pai [Bolsonaro], ou seja, trocando o Brasil pelo pai. Que patriota que é esse? Isso é pior do que Silvério dos Reis, que traiu Tiradentes”, critica Lula, em referência a Eduardo Bolsonaro.

Leia mais: General confessa ser autor de plano para matar Lula, Alckmin e Moraes

Sobre a carta em que Trump anuncia o ‘tarifaço’, Lula fez questão de destacar que a situação de Jair Bolsonaro é um problema da Justiça brasileira. Além disso, afirmou que as Big Techs norte-americanas têm que respeitar o país, por isso serão regulamentadas para atuarem aqui, e lembrou que os EUA detêm superávit comercial na relação com o Brasil, rebatendo os pontos levantados na carta.

Mentira dos bolsonaristas

Lula também criticou os deputados e senadores brasileiros que levaram uma bandeira de Trump ao Congresso Nacional e lembrou a todos que ele é um dos brasileiros que mais negociou na vida, por conta de seu histórico sindical. Como diz, ganhar ou perder faz parte, mas é preciso negociar e não acreditar em mentiras, como a de que Jair Bolsonaro está sendo perseguido.

“Primeiro, o Bolsonaro não está sendo perseguido. Ele está sendo julgado com todo o direito de defesa. Ele tentou dar um golpe nesse país. Ele não queria que eu e o Alckmin tomássemos posse e chegou a montar uma equipe para matar: o Lula, o Alckmin e o Alexandre de Moraes”, recorda.

Leia mais: Trump não é imperador do mundo e soberania brasileira é do povo, diz Lula

Segundo Lula, se Trump tivesse entrado em contato com ele, a situação seria explicada, mas ressaltou, mais uma vez, que a invasão incentivada pelo norte-americano ao Capitólio, se fosse no Brasil, seria julgada pela Justiça.

“Neste país quem manda é o povo brasileiro. E o povo brasileiro está esperando que se faça justiça. Se o Bolsonaro for inocente, ele vai ser livre”, sublinha.

Tornozeleira

Lula ainda fez referência à tornozeleira eletrônica que usa Bolsonaro. Conforme revela, quando foi injustamente condenado, preferiu 580 dias na prisão, até que fosse inocentado, do que tentar fugir ou ser monitorado pelo dispositivo, uma vez que confiava que a justiça seria feita.

 “Quando fizeram a proposta de um acordo para mim, para ir para a casa de tornozeleira, eu disse para eles: ‘eu não troco a minha dignidade pela minha liberdade’. Não vou colocar tornozeleira porque eu não sou pombo correio e a minha casa não é cadeia. E estou aqui, de cabeça erguida, como presidente pela terceira vez”, ressalta.

Negociador nº 1

Na sequência, fez uma deferência a Alckmin, que tenta de todas as formas uma interlocução com o governo dos EUA, mas sem sucesso.

“Esse cara é exímio negociador, não levanta voz e não manda carta, ele só quer conversar. Trump, no dia que você quiser conversar, o Brasil estará pronto e preparado para discutir, para tentar mostrar o quanto você foi enganado com as informações que te deram. E você vai saber a verdade sobre o Brasil. E quando você souber a verdade, você vai falar: ‘Lula, eu não vou mais taxar o Brasil’. Mas para isso é preciso conversar. E está aqui o meu conversador número um. Ninguém pode dizer que o Alckmin não quer conversar, todo dia ele liga para alguém”, destaca.

Urbanização de Favelas

A cerimônia no Jardim Rochdale, em Osasco, foi marcada pelo anúncio do Novo PAC Seleções 2025 Periferia Viva – Urbanização de Favelas. O governo federal destina mais R$ 4,67 bilhões para 49 territórios periféricos de 32 municípios de 12 estados.

As contratações feitas junto à Caixa Econômica abrangem, conforme o governo federal, “5.606 unidades habitacionais do Minha Casa, Minha Vida, 8.434 unidades habitacionais com financiamento, 8.465 melhorias habitacionais e o benefício a 375 mil famílias.”

Leia mais: Governo Lula prepara o lançamento do programa “Gás para Todos”

Visita de Lula em Osasco. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Somente em São Paulo são R$ 2 bilhões para atender 13 comunidades. Em Osasco são R$ 200 milhões para 240 novas unidades habitacionais na Favela da 13, no bairro Jaguaripe, e 194 moradias para a comunidade do Limite, no bairro Santa Maria. O município ainda contará com assessoria da equipe do Periferia Viva para obras de infraestrutura.

O Jardim Rochdale, que historicamente sofre com alagamentos, passará por uma segunda fase da urbanização. O território já havia sido atendido com recursos do PAC e agora, com o Novo Programa, receberá mais R$ 82 milhões para a urbanização, incluindo a construção de infraestrutura urbana, recuperação ambiental, regularização fundiária, construção de 166 novas moradias e melhorias em 319 unidades habitacionais.

Categorized in:

Governo Lula,

Last Update: 25/07/2025