Leilão da PPSA no pré-sal deve ter forte disputa, avalia Ineep

Mesmo com o cenário internacional de preços baixos do petróleo, o 1º Leilão de Áreas Não Contratadas da União no pré-sal — marcado para esta quarta-feira (4), na B3, em São Paulo — não deve sofrer impacto negativo.

A avaliação é do coordenador de pesquisas do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), Francismar Ferreira, uma vez que as áreas ofertadas não têm risco exploratório e já demonstraram elevada produtividade.

O certame ofertará a participação integral da União em três campos estratégicos do pré-sal: Mero, Tupi e Atapu, todos operados pela Petrobras em parceria com multinacionais como Shell, Total, Galp, CNODC e CNOOC.

Os percentuais atualmente pertencentes à União são relativamente reduzidos — 3,5% em Mero, 0,833% em Tupi e 0,95% em Atapu — mas representam volumes valiosos diante do histórico de produtividade dessas jazidas.

Dados da ANP mostram que, em setembro de 2025, as áreas não contratadas nos três campos registraram produção média de 37,6 mil barris de óleo equivalente por dia, o equivalente a 0,9% de toda a produção do pré-sal.

Em outras palavras: são ativos maduros, já testados e altamente rentáveis, o que tende a manter o interesse das empresas mesmo em períodos de Brent depreciado.

Valores mínimos elevados não devem afastar investidores

O edital prevê um valor mínimo total de R$ 10,2 bilhões pelo conjunto das participações ofertadas:

  • R$ 7,6 bilhões para Mero,
  • R$ 1,7 bilhão para Tupi,
  • R$ 863,3 milhões para Atapu.

Além disso, há possibilidade de pagamento adicional à União (earn-out), dependendo do preço futuro do petróleo e de eventuais redeterminações das parcelas de participação nas jazidas.

Apesar das cifras elevadas, Ferreira avalia que os números não devem prejudicar o certame. Um dos motivos é a forte probabilidade de participação ativa da Petrobras, já operadora dos três campos e com foco reforçado em exploração e produção no Plano Estratégico 2026–2030.

Advertência: leilão representa nova etapa de privatização do pré-sal

Ao mesmo tempo, o pesquisador faz um alerta importante: a alienação das áreas não contratadas da União pode ser interpretada como uma forma indireta de privatização do pré-sal.

“O que está sendo alienado são direitos da própria União em campos de produção de petróleo e gás”, afirma Ferreira. O movimento pode abrir maior espaço para empresas privadas e estatais estrangeiras, além de ampliar a participação de multinacionais que já operam nessas áreas.

Segundo ele, isso pode reduzir o controle do Estado sobre volumes relevantes de petróleo e gás, enfraquecendo a capacidade pública de direcionamento estratégico sobre o pré-sal — considerado o maior ativo energético brasileiro.

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