Repúdio total aos novos negacionistas do Holocausto

Por Jair de Souza*

Num período imediatamente prévio à II Guerra Mundial, e durante o transcorrer da mesma, a Europa foi palco de um dos episódios mais abomináveis da história humana.

Sob a batuta de Adolf Hitler, a Alemanha nazista levou a cabo matanças programadas e executadas com crueldade e perversidade de estarrecer até os mais insensíveis seres humanos. A sanha nazi-hitlerista trucidou impiedosamente milhões de pessoas pertencentes a grupos considerados indesejáveis e inservíveis pelos nazistas.

Dentre as principais vítimas da fúria bestial do nazismo, podemos listar milhões de ciganos, os acusados de estarem vinculados a sindicatos de trabalhadores e organizações comunistas, os judeus e um incontável número de seres de nacionalidades eslavas (russos, poloneses, etc.), assim como vários outros.

Entretanto, não obstante a imensa quantidade de provas e indícios que confirmam a ocorrência destas monstruosidades, ainda há gente que persiste em não reconhecer, ou dar o devido peso, a esta funesta obra da maldade humana. Os que assim se comportam são os denominados negacionistas do Holocausto.

Como não podia deixar de ser, quase toda a humanidade de mente sã sempre expressou o devido repúdio e condenação a todos os que têm demonstrado tamanha insensibilidade diante do sofrimento causado a tantos seres humanos pelos agentes da morte hitleristas.

Porém, a negação do Holocausto hitlerista, que vinha sendo mantido tão somente por um reduzido número de pessoas, via de regra, através de meios alheios ao chamado “mainstream” informativo, agora está sendo suplantada pela de outro, que está em pleno desenvolvimento neste exato instante, em outras palavras, o Holocausto do povo palestino.

Só que, desta vez, os negacionistas do novo Holocausto não se limitam a um punhadinho de alienados vinculados a meios de pouca relevância. Nesta oportunidade, a despeito de que as provas e os detalhes dos crimes hediondos que estão sendo cometidos contra o indefeso povo palestino estejam disponíveis em ainda muito mais abundância (fotos, gravações de vídeos, relatos presenciais, etc.), a esmagadora maioria dos meios corporativos dos países hegemônicos do capitalismo ocidental, e naqueles a eles subordinados, se recusa a admitir que esteja havendo um deplorável genocídio por parte de um dos exércitos mais bem armados do planeta, ou seja, as mal chamadas Forças de Defesa de Israel.

Os que dirigem essa mídia corporativa ocidental e seus cúmplices não se comovem ao constatar a imensa covardia lançada contra crianças, mulheres e a população civil indefesa. Os vídeos e fotos dos bombardeios contra hospitais e locais de moradia, com o consequente despedaçamento de milhares de seres humanos, nada disto é suficiente para que o regime sionista do Estado de Israel seja considerado como genocida.

Nem mesmo as cenas com milhares de crianças esqueléticas em desesperada busca de comida consegue romper a insensibilidade dessa mídia. Não parece haver nenhuma condenação ao fato de que essa fome alastrada se deva a que o sionismo israelense bloqueou a entrada de água e alimentos em Gaza como forma de destruir sua população também por meio da fome.

Este é o Holocausto de nossos dias. A maior diferença em relação com aquele ocorrido sob o nazismo é que este conta com um número muitíssimo maior de negacionistas, e incrustados em boa parte dos meios hegemônicos dos países capitalistas. De um ponto de vista humanitário, não há como condenar o negacionismo daquele Holocausto e silenciar-se diante deste.

Jair de Souza é economista formado pela UFRJ; mestre em linguística também pela UFRJ.

Este artigo não representa obrigatoriamente a opinião do Viomundo.

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Last Update: 28/08/2025