
A investigação da Operação Carbono Oculto, a maior já realizada contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), identificou 19 postos de combustíveis ligados à facção, com atuação concentrada nos estados de São Paulo e Goiás. Segundo decisões judiciais que embasam a operação, a Receita Federal estima que mais de mil postos foram usados para lavar dinheiro do crime organizado, movimentando recursos em espécie ou via maquininhas de cartão.
Entre os nomes citados, Renan Cepeda Gonçalves é descrito como “pessoa chave na organização criminosa”. Ele é vinculado à Rede Boxter, grupo empresarial investigado por envolvimento direto com esquemas de lavagem de capitais do PCC.
Dos postos da rede Boxter, 23 pertenceram a Gabriel Cepeda Gonçalves e há “sinais claros de simulação e fraude”. O site O Bastidor escreveu sobre as conexões políticas da família Cepeda:
Um dos membros da família Cepeda, alvo de operação Carbono Oculto, que investiga esquema de fraudes com combustíveis associado ao PCC, o Primeiro Comando da Capital, costuma frequentar eventos com políticos em São Paulo.
Gabriel Cepeda, um dos citados nos relatórios do Ministério Público de São Paulo, aparece, por exemplo, em fotos com o Secretário de Governo e Relações Institucionais do Estado de São Paulo e presidente do PSD, Gilberto Kassab, e com o ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça Jorge Mussi.
Os registros dos encontros foram publicados pelo pré-candidato a deputado estadual em São Paulo pelo PSD Matheus Serafim. Nas redes sociais, ele se refere a Gabriel como “grande amigo” e “irmão”. A foto foi excluída nesta semana logo após a operação. Gabriel, por sua vez, desativou o seu perfil no LinkedIn.
Serafim é um dos elos de Gabriel com autoridades. Ex-lutador de MMA, esteve lotado no gabinete do deputado federal Mário Frias (PL-RJ) em 2023, segundo registros da Câmara. Também atuou como assessor Parlamentar e de Comissão na Assembleia Legislativa em São Paulo pelo Republicanos.
O ex-atleta tem bom trânsito entre políticos paulistas e do bolsonarismo. Costuma aparecer em eventos ligados à segurança pública e com represantes da área no setor público. Anunciou nesta semana ser pré-candidato a deputado estadual.
Ao Bastidor, ele disse que conheceu Gabriel há uns três anos e que o empresário chegou a patrociná-lo. Mantém relação de amizade desde então. Disse que a foto com Kassab foi tirada há algumas semanas e excluída após ser procurado por pessoas que questionaram o registro após a Carbono Oculto.
Depois de conversar com Gabriel, optou por apagar a foto do seu perfil no Instagram. Afirmou que desconhece o conteúdo das investigações e reforçou que Kassab também de nada sabia.
A atuação dos Cepeda
Segundo documentos que basearam a operação da última quinta-feira (28), a família Cepeda Gonçalves é apontada como peça central em um esquema de organização criminosa e lavagem de capitais, com suspeita de conexões com o PCC. A apuração indica que o grupo utilizava uma extensa rede de postos de combustíveis, articulada na Rede Boxter, para dissimular movimentações financeiras em larga escala.
Os autos, a que o Bastidor teve acesso, descrevem um núcleo familiar estruturado, formado por Renan, Gabriel, Natália e Natalício Pereira Gonçalves Filho. Cada integrante aparece em diferentes operações e empresas ligadas ao grupo.
A investigação também menciona a Operação Rei do Crime, deflagrada pela Polícia Federal, na qual integrantes da família foram presos sob acusação de utilizar a rede de combustíveis para lavar dinheiro e financiar atividades ilícitas ligadas ao PCC. O material ressalta que a ligação não se dá de forma difusa, mas como um esquema estruturado, no qual o núcleo familiar se apoiava mutuamente para manter canais de circulação de valores e expandir sua influência.
No dia 21 de fevereiro de 2025, o Bastidor revelou como a empresa Aslam Combustíveis Ltda, que pertence formalmente a Gabriel, conseguiu autorização da Secretária da Fazenda de São Paulo para atuar mesmo com as suspeitas sobre a família.
Contra o Bastidor, Gabriel recorreu à Justiça do Distrito Federal para retirar a matéria do ar e pediu indenização. Conseguiu em março. Ainda cabe recurso.