A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi presa nesta terça-feira (29) em Roma, na Itália. A prisão foi confirmada pela Polícia Federal e ocorreu com apoio das autoridades italianas, no âmbito de uma cooperação internacional que incluiu a Interpol. Segundo a PF, Zambelli será submetida a processo de extradição conforme tratado firmado entre Brasil e Itália.
A parlamentar havia deixado o Brasil no início de junho, após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos e 8 meses de prisão, inicialmente em regime fechado, por envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A decisão do STF também determinou a perda de mandato e o pagamento de multa de R$2 milhões. Desde 4 de junho, o nome da deputada constava na lista de difusão vermelha da Interpol.
A defesa de Zambelli afirma que ela se apresentou espontaneamente às autoridades italianas. “Ela decidiu colaborar administrativamente com os pedidos das autoridades, mostrando que não era foragida e aguardava um posicionamento oficial”, declarou o advogado Fabio Pagnozzi. A PF, porém, nega a versão e atribui a prisão ao monitoramento realizado por policiais destacados na Europa. De acordo com a corporação, a presença de parentes e de outros brasileiros no apartamento onde Zambelli estava hospedada em Roma ajudou a localizá-la.
No momento da prisão, a deputada foi encaminhada à Divisão de Capturas do Setor de Cooperação Internacional da polícia italiana. Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, as autoridades italianas terão até 48 horas para decidir se mantêm Zambelli presa, concedem prisão domiciliar ou determinam sua extradição ao Brasil.
A possibilidade de extradição, apesar da cidadania italiana da deputada, não está descartada. O tratado de extradição entre Brasil e Itália prevê que a entrega de nacionais é facultativa, mas possível. O caso será analisado pelo Ministério da Justiça da Itália e, posteriormente, por um tribunal competente.
A deputada afirmou, em vídeo divulgado por sua defesa, que pretende solicitar asilo político. “Estou segura de que aqui [na Itália] buscarei justiça para o meu caso. Não temos um ditador no poder”, declarou, referindo-se ao ministro Alexandre de Moraes, relator da ação no STF. Ela negou ter ordenado a invasão do sistema do CNJ e se disse vítima de perseguição política.
O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), declarou que o partido apoia Zambelli e classificou a condenação como “perseguição política”. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), informou que o caso será avaliado pela Mesa Diretora da Casa. A Constituição prevê a cassação de mandato em caso de ausência não justificada por mais de 120 dias.