
Uma delação premiada feita pelo empresário João Pedro revelou detalhes de uma suposta rede de corrupção envolvendo policiais civis em São Paulo. Quatro agentes foram presos na Operação Tacitus, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público de São Paulo na terça-feira (17), enquanto um quinto policial continua foragido. Pedro, que admitiu envolvimento com o PCC, foi morto em 8 de novembro no Aeroporto de Guarulhos, São Paulo.
Os policiais presos incluem o delegado Fábio Baena Martin e os investigadores Eduardo Lopes Monteiro, Marcelo Ruggieri e Marcelo Marques de Souza, conhecido como Marcelo Bombom. Rogério de Almeida Felício, apelidado de Rogerinho, que também é alvo da operação, segue foragido. Além disso, outras prisões temporárias foram decretadas contra o advogado Ahmed Hassan Saleh e dois empresários.
Segundo o Pedro, o grupo o via como uma “cana de bilhões”, termo usado para descrever alguém com alto potencial para extorsão. Ele detalhou que, após sua prisão em 2022, foi levado à sala do delegado Baena, onde teve bens como computadores, relógios de luxo e dinheiro confiscados. Parte dos itens foi devolvida, mas o delator acusou o delegado de ficar com relógios e valores em espécie.
Rogerinho, que está foragido, é conhecido por ter atuado na segurança particular do cantor bolsonarista Gusttavo Lima. Ele chegou a viajar para a Grécia junto com o artista para celebrar o último aniversário do cantor.

Enriquecimento ilícito
A investigação aponta que os policiais envolvidos exibiam sinais de enriquecimento ilícito, como a posse de imóveis e carros de luxo.

O juiz responsável pelo caso, Paulo Fernando Deroma de Mello, afirmou que as provas indicam uma organização criminosa estruturada, que mistura corrupção policial com tráfico de drogas. Em nota, o advogado de defesa de Baena e Monteiro chamou a prisão de “arbitrária” e acusou o delator de não apresentar provas novas que sustentem as acusações.
Gritzbach também apontou uma relação próxima entre Monteiro e membros da alta cúpula do PCC. Ele relatou que, em uma conversa com Monteiro, o policial teria ligado para um líder da facção, que garantiu ao empresário que ele não seria prejudicado. O delator ainda afirmou que foi pressionado a pagar milhões para ser excluído do inquérito, mas disse que “nada foi pago”.
As defesas dos investigados refutaram as acusações. O advogado de Ruggieri disse que a prisão foi precipitada. Já o representante de Robinson Moura afirmou que ele colaborou com todas as investigações e que é uma pessoa de conduta exemplar. A defesa de Rogério declarou que ele é inocente e está tomando medidas legais para esclarecer os fatos.
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