(Comunicação, complemento da Parte 1)
O rumo da comunicação e os elos de confiança e credibilidade são definidos por assertividade, coerência e laços sedimentados de confiança entre quem emite e quem recebe, no processo de interação (via dupla) social e política. Nesse sentido, a qualidade do “Programa Mínimo” Socialista, sua pertinência e acuidade de percepção, diagnóstico, formulações, propostas e ação política concretas, suas estratégias e táticas, seus canais interativos dinâmicos com as massas, compõem a peça básica e a referência central da comunicação política de um Partido Comunista.
O como fazer, as estratégias específicas de comunicação e abordagem das questões, serão definidos por mecanismos competentes afinados com as diretrizes gerais da Direção Política, assim como os princípios de conduta e ética de comunicação; os modos e meios serão múltiplos, variados, adequados às situações e circunstâncias. O que um Partido Comunista não pode abrir mão é de um órgão (mídia) oficial. Por este o Partido se expressa formalmente.
Comunicação nos dias atuais exige estrutura, tecnologias, competência técnica, talentos e meios que não podem prescindir de um esforço político, técnico e material do Partido que precisa ser enfrentado com realismo e denodo. No momento, o partido, de per si e em articulação estreita com outras forças de esquerda, terá que dar um tratamento especial a seu setor de comunicação, ao estilo de uma força tarefa que se incumba da estruturação de um sistema capaz de efetivamente dar testa ao monopólio direitista da grande mídia e da internet, controladas, de resto, pelo Imperialismo.
Linha de Massas. Formular um programa político socialista e definir lutas, bandeiras e táticas não é algo que se deva fazer distante da militância cotidiana. Um esforço de estudo quantitativo e qualitativo da realidade e suas raízes históricas de modo extenso e aprofundado tanto em pesquisa de dados, análises e informações livrescas como em percepções que as pessoas e comunidades do povo têm. Tudo numa abordagem objetiva e científica, como nos propicia o método marxista. Ao nosso ver, os comunistas desse nosso tempo não podem desprezar nem menosprezar as contribuições substanciosas de Mao Zedong no desenvolvimento do método marxista-leninista de análise de realidade (Sobre as Contradições) e de construção interativa e democrática de programas, estratégias, táticas e bandeiras de luta (Linha de Massas, ver A propósito dos métodos de direção e outros textos) no processo revolucionário. Mecanismos e tecnologias contemporâneas de consultas, interações, prospecções das percepções, sentimentos e tendências das massas precisam, naturalmente, ser utilizados, a bem da eficiência, “atualização” e alcance desse trabalho político de sintonias. Alguns desses mecanismos terão custos mais elevados, não importa, as condições materiais precisam ter a devida cobertura nas finanças partidárias.
Unidade e luta. Outro ponto crucial em que nos parece haver um certo relaxamento de postura do Partido e da Esquerda como um todo diz respeito à Unidade na luta popular democrática e pelo socialismo. Temos tido, é verdade, muitos avanços importantes na valorização e exercício de frentes e alianças e na preservação de um bom relacionamento entre os partidos de maior expressão política popular. No entanto, embora efetivas ações políticas frentistas venham fluindo com bons resultados políticos, sobretudo no campo da luta institucional e eleitoral, a esquerda brasileira mantem uma postura conservadora ante propostas que avancem por uma ideia de fazer elevar os níveis orgânico e programático, sobretudo no plano estratégico, das expressões e formas de unidade política.
Dividimo-nos em diferentes centrais sindicais, disputamos espaço em organizações e movimentos populares, assim como competimos por milímetros de espaço em acordos eleitorais e em posições em equipes de mandatos executivos. Enquanto isso, os essenciais aspectos programáticos ficam em plano subalterno, podendo ser até mesmo desprezados, esquecidos.
Em tarefas estruturais essenciais à ação política, tanto tática como estratégica, nos ressentimos da falta de iniciativas conjuntas que podem assumir natureza orgânica. Isso tem sido notório, por exemplo, em relação à questão da comunicação em sua expressão macro, um problema da esquerda brasileira que vem acumulado por muitas décadas. Nos tempos recentes, de ressurgência da força política dos povos no mundo, coincidindo com a era digital, agregam-se a esse problema desafios filosóficos, científicos e tecnológicos de novo tipo, bastante complexos. A lógica elementar recomenda que para problemas e desafios comuns, quanto mais cooperação melhor. Mas velhos cacoetes políticos e entraves (ideológicos, no fundo) de conduta parecem dificultar a fluidez do óbvio. A nosso ver, essas questões rebatem em outra questão de fundo, qual seja, a que diz respeito às visões estratégicas (programáticas, de novo) sobre a perspectiva política do processo de condução da revolução socialista no país. As organizações políticas brasileiras que lutam pelo socialismo praticamente abrem mão de pensar nos passos efetivos para a conquista do objetivo declarado. Como que informalmente arquivando, ou hibernando, a concepção leninista elementar sobre a imprescindibilidade de uma vanguarda, em forma de partido político, que assuma a condução, em nome da classe trabalhadora, rumo ao poder socialista. Embarca-se na ilusão, a exemplo do que tem ocorrido em muitos países e contextos políticos libertadores, de que seja possível uma construção socialista exitosa sem uma compreensão científica (marxista-leninista) hegemônica via uma condução unitária e igualmente consciente (socialismo científico) da classe trabalhadora. Outras tarefas essenciais ao processo político pedem níveis de unidade orgânica progressivos, a exemplo de desenvolvimento programático e de definições estratégicas em “frente popular”, a chamada “luta de ideias”, táticas de lutas nacionais e regionais, relações e articulações políticas internacionais, etc.
A unidade fraternal de uma frente popular, sem prejuízo de frentes mais amplas indispensáveis, agrega um apelo político de fundamental importância para o avanço do processo libertador democrático e socialista.