O tenente-coronel Mauro Cid deixa o STF após prestar depoimento por três horas. Foto: Fellipe Sampaio

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), presta um novo depoimento à Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (5), segundo informações do Globo.

O interrogatório está marcado para as 15h, na superintendência da corporação em Brasília, e abordará “omissões e contradições” identificadas pela PF em seus depoimentos sobre o suposto plano de golpe articulado no Palácio do Planalto no final de 2022.

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, explicou que esta será a décima primeira oitiva de Cid desde sua prisão em 2023, como desdobramento do depoimento prestado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 21 de novembro.

Na ocasião, o acordo de colaboração de Cid passou por reanálise, com risco de anulação. “Fruto dessa reinquirição, entendeu o ministro por bem de manter a integridade dessa colaboração, sem prejuízo dessa decisão de que nós ouçamos de novo o colaborador”, declarou Andrei a jornalistas nesta quarta-feira.

Andrei também destacou que a PF não solicitou a rescisão da delação, mas encaminhou um ofício ao Supremo apontando “circunstâncias” nos relatos de Cid. “Quem decide pela validade [da colaboração] não somos nós. Nós nos manifestamos só a respeito do quanto o delator contribuiu ou não. A decisão é do Poder Judiciário”, completou.

Quem é Mauro Cid, ex-assessor de Bolsonaro preso pela PF - 30/01/2023 - Poder - Folha
Mauro Cid e Jair Bolsonaro (PL). Foto: reprodução

A defesa de Mauro Cid afirmou que ele permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários. Ele já foi indiciado, junto com Bolsonaro e outras 35 pessoas, pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e organização criminosa. Essa investigação foi concluída e remetida à Procuradoria-Geral da República (PGR) na última semana.

“Punhal Verde e Amarelho”

Duas semanas atrás, Mauro Cid prestou depoimento à PF sobre mensagens apagadas em seu celular e um suposto plano, denominado “Punhal Verde e Amarelho”, que teria como objetivo assassinar o presidente Lula (PT), o vice Geraldo Alckmin e Moraes. A defesa do militar negou qualquer envolvimento ou conhecimento de Cid sobre essa trama.

Em audiência com Moraes após seu depoimento, Cid confirmou a realização de uma reunião na residência do ex-ministro da Defesa e da Casa Civil, Walter Braga Netto, para discutir a possibilidade de um golpe de Estado. No entanto, ele reafirmou desconhecer o plano de assassinato, segundo sua defesa.

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Last Update: 05/12/2024